Cerca de 34 mil pessoas aguardam na fila por um órgão; psicóloga do HC analisa o ‘tabu’ que gira em torno da doação
Setembro é marcado por uma importante campanha de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos. De acordo com dados da Associação Brasileira de Transplantes (referentes ao primeiro trimestre de 2019), quase 34 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil, sendo mais de 15.500 apenas em São Paulo.
Por que há tanta dificuldade na doação de órgãos?
A psicóloga Carolini Rangel, do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, explica que a doação de órgãos ainda é um tabu na sociedade. Muitos mitos e receios cercam o processo, levando famílias a negarem a doação por preocupações com o corpo do ente querido. A conscientização é fundamental para mostrar que o corpo é devolvido à família nas melhores condições possíveis, sem motivo para preocupações.
O papel das equipes de saúde e a realidade dos números
Equipes especializadas entram em contato com as famílias para esclarecer dúvidas e desmistificar o processo. A doação de órgãos de uma única pessoa pode beneficiar até oito vidas. A decisão final sobre a liberação dos órgãos para transplante cabe aos familiares. Em Ribeirão Preto, há 205 pessoas aguardando por um rim, e mais de 1.100 na região. No estado de São Paulo, esse número chega a quase 15 mil para transplante de rim, sem contar outros órgãos como coração, pulmão, pâncreas e córneas.
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Além da doação após a morte, existe a possibilidade de doação em vida, principalmente de rins e, em alguns centros, de fígado. O Hospital das Clínicas acompanha os pacientes antes e depois da cirurgia, oferecendo orientação e suporte durante todo o processo, que pode ser longo e angustiante devido à escassez de órgãos.
Ações da Semana de Conscientização
O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, em parceria com a Liga de Transplantes de Órgãos e Tecidos da Escola de Enfermagem da USP, realiza atividades durante a última semana de setembro para conscientizar a população. As ações incluem jogos, distribuição de material informativo, participação em corridas, palestras e encontros entre famílias doadoras, pacientes em espera e receptores de órgãos. O objetivo é informar e desmistificar a doação, enfatizando que basta comunicar a família sobre o desejo de ser doador.
A iniciativa busca mobilizar a população e reduzir a alta taxa de recusa familiar, impactando positivamente a vida de milhares de pessoas que aguardam por um transplante.



