Saída dos nove vereadores, que continuam recebendo salários, permitiria a convocação dos suplentes
Imagine receber seu salário integralmente, sem trabalhar e ainda ser impedido de entrar no seu local de trabalho. Parece surreal, mas é o que está acontecendo com vereadores de Ribeirão Preto.
Afastamento e Investigação
Nove vereadores foram afastados de seus cargos por determinação da justiça, em decorrência da Operação Sevandija, conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Eles estão proibidos de frequentar a Câmara Municipal e outros prédios públicos de Ribeirão Preto. Os vereadores afastados são Walter Gomes (PTB), Samuel Zanferdini (PSD), Evaldo Mendonça da Silva (GIló – PTB), Capela Novas (PPS), Genevaldo Gomes (PSD), Cícero Gomes (PMDB), José Carlos de Oliveira (BB – PSD), Maurílio Romano (PP) e Saulo Rodrigues da Silva (PRB).
Quórum e Pagamentos em Duplicidade
Com nove dos 22 vereadores afastados, a Câmara não atinge o quórum qualificado de 15 membros, o que impede a votação das contas públicas da Prefeitura de Ribeirão Preto referentes aos anos de 2012 e 2013. A convocação de suplentes seria uma solução, mas os vereadores afastados continuam recebendo seus salários, o que geraria pagamentos em duplicidade pela Câmara.
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Pressão Popular e Resistência à Renúncia
Nas redes sociais, a população de Ribeirão Preto tem se manifestado pedindo a renúncia dos nove vereadores investigados na Operação Sevandija. O advogado Júlio Moçim, que representa Walter Gomes, afirmou que não há possibilidade de renúncia por parte de seu cliente. Teuã Carvalho, advogado de Genivaldo Gomes, também declarou que a renúncia não foi sequer cogitada, argumentando que seu cliente está apenas sendo investigado e a denúncia ainda não foi aceita pela justiça. A advogada de Capela Novas, Maria Cláudia Seixas, preferiu não comentar sobre os pedidos de renúncia e informou que o vereador presta esclarecimentos apenas à justiça. O vereador Cícero Gomes não foi encontrado para comentar a pressão popular. As equipes dos outros cinco vereadores afastados foram comunicadas, mas não enviaram respostas.
A situação em Ribeirão Preto levanta questões sobre a representatividade e a governabilidade, enquanto as investigações seguem seu curso.



