Na Coluna ‘CBN Saúde e Bem Estar’, Mathues Schettini fala sobre os riscos de utilizar medicamentos sem prescrição médica
A procura por canetas para emagrecer e por testosterona injetável tem aumentado e preocupa profissionais de saúde. Em entrevista ao programa, o endocrinologista Dr. Mateus Schettini explicou características, indicações e riscos relacionados ao uso desses medicamentos sem acompanhamento médico.
O que são as “canetas” para emagrecer
Segundo o especialista, as chamadas canetas emagrecedoras pertencem a uma classe de medicamentos conhecidos como análogos de GLP‑1. “São similares a um hormônio que produzimos e que traz sensação de saciedade”, disse Dr. Mateus. A molécula foi desenvolvida inicialmente para tratar diabetes — pois ajuda o pâncreas a produzir insulina — e depois demonstrou efeito benéfico na redução de peso, sendo hoje aprovada tanto para diabetes quanto para o tratamento da obesidade.
Apesar de serem consideradas eficazes, o endocrinologista ressalta que essas medicações exigem acompanhamento: “Elas têm dose e forma corretas de administração e podem ter contraindicações e efeitos colaterais, por isso o ideal é sempre orientação médica”.
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Testosterona: indicação rigorosa e regras de prescrição
O uso de testosterona injetável tem indicação mais restrita. “Só está indicada quando a pessoa tem deficiência desse hormônio”, explicou Dr. Mateus. Para o diagnóstico, são necessários critérios clínicos e laboratoriais: geralmente dois exames que confirmem níveis baixos de testosterona e a presença de sintomas — como queda da libido, diminuição da ereção e redução da energia.
O médico também destacou que existe legislação específica para a prescrição de hormônios como a testosterona: a receita costuma ser mais rigorosa e deve conter dados que identifiquem o profissional e a condição clínica do paciente.
Riscos da compra irregular e falsificações
O endocrinologista alertou para os perigos de adquirir medicamentos por canais não confiáveis: “Temos visto pessoas comprando por preços menores fora de farmácias registradas e, muitas vezes, são produtos falsificados ou adulterados, o que traz risco à saúde”. Ele reforçou que, mesmo quando a medicação é legal e eficaz, o uso sem avaliação médica pode levar a complicações.
Sobre quando iniciar tratamento farmacológico para a obesidade, Dr. Mateus afirmou que a indicação é para pessoas com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30, ou para quem tem IMC acima de 25 acompanhado de comorbidades relacionadas ao excesso de peso — como hipertensão, diabetes, dislipidemia ou problemas articulares — desde que já tenham tentado medidas não farmacológicas.
Em suma, o médico recomenda que pacientes busquem avaliação especializada antes de usar esses medicamentos e evitem aquisições por meios não regulamentados para reduzir riscos e garantir eficácia do tratamento.