Resíduos de babaçu da agroindústria são usados para confecção do produto; pesquisador Luís Fernando Baptista fala da descoberta
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto desenvolvem um canudo biodegradável feito a partir da polpa da fruta babassu, Canudo ecológico desenvolvido pela USP Ribeirão muda de cor quando a bebida estiver vencida, típica da Amazônia, combinado com extrato de uva. O produto, ainda em fase de pesquisa, apresenta resultados promissores, destacando-se por ser uma alternativa sustentável aos canudos plásticos e de papel atualmente utilizados, além de possuir uma função inteligente: detectar o pH da bebida e indicar se ela está própria para consumo.
Canudo biodegradável e indicador de pH: O canudo é produzido com um bioplástico derivado da polpa do babassu e incorpora antocianinas presentes no extrato de uva. Essas substâncias orgânicas são responsáveis pela mudança de cor do canudo conforme o pH da bebida, funcionando como um indicador visual da qualidade do líquido. Em testes realizados no laboratório, o canudo apresentou uma coloração rosada ao ser inserido em leite que estava em processo de deterioração, devido à formação de ácido lático e consequente queda do pH.
“Quando o leite passa do seu tempo de consumo, o canudo vai atingindo uma coloração roseada, porque o leite se transforma em ácido lático, diminuindo o pH. Isso serve como alerta para o consumidor”, explicou Luiz Fernando Zitei, doutorando da USP Ribeirão Preto.
Benefícios para a saúde e meio ambiente
O objetivo principal do canudo é auxiliar na identificação de bebidas lácteas impróprias para consumo, especialmente para crianças, que têm dificuldade em perceber sinais de deterioração. Além disso, o canudo não altera o sabor da bebida, conforme relatos dos pesquisadores que o testaram.
Em relação à sustentabilidade, o produto é totalmente biodegradável e possui um tempo de decomposição estimado em até 70 dias, o que representa uma alternativa ambientalmente amigável em comparação aos canudos plásticos convencionais, que demoram muito mais para se decompor e contribuem para a poluição ambiental.
Desafios e perspectivas para produção comercial: Embora o babassu seja uma matéria-prima abundante nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, a equipe de pesquisa está estudando a possibilidade de utilizar outras matérias-primas de fácil acesso para ampliar a viabilidade da produção em larga escala. O desenvolvimento comercial do canudo ainda está em estudo, com o objetivo de escalonar a produção para disponibilizá-lo ao mercado.
“Estamos estudando maneiras de escalonar a produção para que possa ser algo comercial”, afirmou Luiz Fernando Zitei.
Contexto e motivação para o desenvolvimento: A ideia do canudo surgiu da preocupação com os impactos ambientais causados pelo uso de canudos plásticos e das limitações dos canudos de papel, que se deterioram rapidamente e podem alterar o gosto da bebida. O pesquisador, conhecido no laboratório como “o menino do refrigerante”, buscou uma solução mais resistente e sustentável para substituir os canudos de papel, especialmente em bebidas como refrigerantes e leite achocolatado.
“No meu mestrado, foquei em produzir um canudo que pudesse substituir o de papel, que é menos resistente e se desmancha rápido”, explicou o doutorando.
Informações adicionais
O canudo desenvolvido na USP de Ribeirão Preto alia sustentabilidade e tecnologia ao oferecer uma alternativa biodegradável que também funciona como um sensor visual da qualidade da bebida. A pesquisa ainda está em andamento, e os pesquisadores buscam formas de viabilizar a produção comercial do produto, que pode contribuir para a redução do uso de plástico descartável e para a segurança alimentar dos consumidores.



