Ao todo, 81 pacientes oncológicos participam do estudo clínico que começa nesta sexta-feira (15); conheça o método
Um estudo clínico da terapia celular denominado Car-tesel, voltado ao tratamento de cânceres do sangue, terá início na próxima sexta-feira no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. O anúncio foi feito em conjunto pela Fundação Emocentro de Ribeirão Preto e pelo Centro de Terapia Celular da USP, responsável pela pesquisa.
Estrutura e participantes do estudo
Nesta fase inicial, quatro pacientes com leucemia linfoblástica aguda de células B ou linfoma de células B receberão o tratamento no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto por um período de 15 a 30 dias. Após essa etapa, os dados coletados serão encaminhados à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para avaliação de segurança e eficácia, segundo explicou o diretor clínico da Fundação Emocentro e coordenador do estudo, Rodrigo Calado.
Ao todo, 81 pacientes serão selecionados para essa fase do estudo clínico, que já tem aprovação da Anvisa e tem como objetivo obter o registro do tratamento para posterior disponibilização pelo SUS. A pesquisa está restrita a pacientes com leucemia linfoblástica aguda B e linfomas de células B — entre eles o linfoma difuso de grandes células B — exclusivamente para aqueles que não obtiveram resposta satisfatória ao tratamento inicial, formado por quimioterapia, imunoterapia e, em alguns casos, transplante de medula óssea.
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O estudo será conduzido em cinco instituições: os hospitais da Universidade de São Paulo em São Paulo, Ribeirão Preto e Campinas, além da Beneficência Portuguesa e do Hospital Sírio-Libanês, ambos em São Paulo. Podem participar pacientes entre 3 e 70 anos que não responderam aos tratamentos convencionais, como quimioterapia, transplante de medula óssea ou radioterapia.
Como funciona a terapia e o processo de fabricação
Segundo a equipe de pesquisa, a terapia — originalmente desenvolvida há cerca de dez anos nos Estados Unidos — utiliza células do próprio sistema imune do paciente. São coletados linfócitos no sangue, que são manipulados em laboratório: um material genético é inserido para reprogramar essas células para reconhecer e atacar células da leucemia ou do linfoma. Após a modificação genética, as células são multiplicadas até atingir número suficiente para serem reinfundidas no paciente.
O processo de coleta, seleção, modificação e expansão das células costuma levar entre duas e três semanas. Para que a coleta seja eficaz, é necessário que a doença esteja sob relativo controle; muitas vezes os pacientes recebem uma terapia de contenção — chamada de terapia ponte — enquanto aguardam a finalização do produto celular.
Prazos, seleção e perspectivas
A seleção dos participantes será feita exclusivamente por meio do médico assistente, que deve contatar a equipe do estudo pelo e-mail [email protected] e enviar a documentação clínica. Os testes clínicos estão previstos para durar um ano, com acompanhamento dos pacientes por até cinco anos.
A expectativa dos pesquisadores é que a Anvisa possa conceder o registro da nova terapia em 2025, o que permitiria sua incorporação ao SUS. Até o momento, 20 pacientes foram tratados de forma individualizada e experimental com terapia CAR-T; 14 deles permanecem estáveis, segundo os médicos, todos em casos graves para os quais não havia alternativa terapêutica.
Pesquisadores e equipes médicas destacam que esse avanço pode ampliar opções para pacientes com doenças hematológicas refratárias, levando em consideração a complexidade do procedimento e a necessidade de acompanhamento cuidadoso.



