Bruno Silva faz uma análise dos aportes dos municípios em folias de Carnaval na coluna ‘De Olho na Política’
O Carnaval, além de ser uma festa popular, também é palco de estratégias políticas. A prática histórica do “pão e circo”, onde governantes oferecem distrações para acalmar a população, ainda se faz presente. Políticos podem usar o período festivo para distribuir benefícios, fazer média com o eleitorado ou, até mesmo, desviar a atenção de problemas relevantes.
O Carnaval como estratégia política
Alguns políticos utilizam o Carnaval para distribuir benesses à população, seja por meio de festas grandiosas ou ações pontuais. Um exemplo disso é o prefeito que, após um incidente em um ensaio carnavalesco, redirecionou recursos destinados à festa para a aquisição de ar-condicionado para escolas. Embora louvável para alguns, essa atitude pode ser vista como uma forma de “pão e circo”, pois prioriza uma área em detrimento de outra, sem necessariamente solucionar o problema da falta de recursos para ambas.
A face crítica do Carnaval
Por outro lado, o Carnaval também serve como um poderoso instrumento de crítica social. Escolas de samba e blocos de rua frequentemente abordam temas relevantes e problemáticos da sociedade, utilizando a festa como plataforma para expressar suas opiniões e reivindicações. Essa face crítica do Carnaval é um importante contraponto às estratégias políticas que buscam apenas a distração da população.
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Transparência e o período carnavalesco
Apesar da pressão por transparência e da maior exigência da sociedade, ainda existem políticos que tentam aprovar projetos polêmicos na calada da noite, aproveitando-se do período de distração coletiva. A proximidade de eleições também intensifica essas manobras, com executivos e câmaras municipais tentando aprovar projetos antes do fim do mandato. No entanto, a crescente utilização das redes sociais por políticos para interagir com a população e divulgar suas ações durante o Carnaval demonstra uma mudança de estratégia, com foco na aproximação e na construção de uma imagem positiva.
O Carnaval, portanto, apresenta uma dualidade: é um momento de festa e diversão, mas também um campo de disputas políticas, onde estratégias de aproximação com o eleitorado se misturam com tentativas de esconder problemas e aprovar medidas impopulares. A transparência e a participação cidadã são fundamentais para que a população possa discernir entre as diferentes motivações por trás das ações políticas durante o período carnavalesco.