Ex-proprietário da Atmosphera, que cometeu suicídio em novembro, teria pago propina milionário a ex-Superintendente da Coderp
Marcelo Plastino, dono da Construtora Atmosfera, foi encontrado morto em seu apartamento na zona sul de Ribeirão Preto em novembro do ano passado. A Polícia Federal encontrou no local uma carta e documentos que apontam para um esquema de corrupção envolvendo políticos da cidade.
Relatório sobre corrupção na administração municipal
Em seu relatório póstumo, Plastino detalha supostas práticas de compra de vereadores por meio de dinheiro, cargos públicos e loteamentos, sob o comando de Marco Antônio dos Santos, então superintendente do Daerpe. Ele afirma que Darci Vera, ex-prefeita, também tinha conhecimento do esquema, mas que Marco Antônio era quem realmente o dirigia. Plastino descreve os vereadores como “mercenários”, cujo voto era negociado por dinheiro, e afirma que, com o tempo, a corrupção se consolidou por meio de cargos.
Propina milionária e delação premiada
Outro documento encontrado pela Polícia Federal é uma planilha que indica o pagamento de propina a Davi Mansurkuri, ex-superintendente da Coderte. A planilha detalha o presente de um carro importado e uma viagem a Miami, com gastos de R$ 20 mil, pagos por Plastino a Mansurkuri. A investigação busca apurar se esses valores, somados a um possível “mensalinho” de R$ 30 mil mensais durante 1 ano e 9 meses, totalizando quase R$ 1 milhão, configuram um esquema de corrupção sistemático. Entre 2012 e 2015, período em que Mansurkuri comandou a Coderpe, a Construtora Atmosfera recebeu licitações que somaram cerca de R$ 15 milhões. Boa parte dos funcionários da empresa eram indicações de vereadores.
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Defesas e negativas
O advogado de Davi Mansurkuri afirma que seu cliente comprovará ter adquirido o carro e pago a viagem com recursos próprios e que nunca recebeu propina. Ele sugere que o relatório deixado por Plastino seja resultado de uma inimizade recente entre os dois. A ex-prefeita Darci Vera e o ex-secretário Marco Antônio dos Santos negam qualquer envolvimento em atos de corrupção.
A investigação da Polícia Federal busca esclarecer a extensão do esquema de corrupção denunciado por Marcelo Plastino e determinar a responsabilidade de cada um dos envolvidos. As informações obtidas até o momento indicam um cenário complexo de relações políticas e financeiras na administração municipal de Ribeirão Preto.



