O aumento dos casos de câncer colorretal em pessoas mais jovens tem chamado a atenção de autoridades médicas no Brasil e no exterior. Antes mais associado a faixas etárias avançadas, o tumor vem sendo diagnosticado com maior frequência em pacientes abaixo dos 50 anos e até na faixa dos 20.
Em entrevista à CBN, o médico assistente do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, Lucas Morete Monsignore, afirmou que ainda não há uma causa única definida, mas fatores ligados ao estilo de vida podem estar relacionados ao avanço da doença.
Segundo o especialista, o câncer colorretal pode evoluir de forma silenciosa, o que dificulta o diagnóstico precoce entre jovens. “Os sintomas são os mesmos dos idosos, mas sempre atribuem aquilo a outra coisa. Atribuem a uma alimentação mais inadequada, algum outro assunto e não vão pensar e não vão procurar ajuda médica para pesquisar e excluir um eventual câncer”, destacou.
Sangramento retal, perda de peso sem causa aparente, diarreia persistente e dores abdominais frequentes são sinais de alerta. O médico reforça que sintomas passageiros podem não indicar gravidade, mas quadros recorrentes precisam ser investigados.
Fatores de risco
Entre os principais fatores associados estão alimentação inadequada, consumo excessivo de ultraprocessados, obesidade, sedentarismo, tabagismo e ingestão de álcool. “São fatores de estilo de vida totalmente controláveis. O estilo de vida que a gente tinha há alguns anos atrás era muito mais adequado do que atualmente. Então esse estilo pode ser modificado, mas ele tem que ser modificado desde o início. Não adianta a gente pensar em um curto prazo, tem que ser uma mudança para o seu estilo de vida”, destacou.
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O médico também esclareceu que, a princípio, não há associação comprovada entre comportamento sexual e o aumento dos casos em jovens.
O primeiro exame indicado, quando há suspeita, é a pesquisa de sangue oculto nas fezes. Em casos mais indicativos, pode ser solicitada colonoscopia para investigação detalhada. O diagnóstico precoce, segundo o especialista, permite tratamentos menos invasivos e mais eficazes. Estudos internacionais já apontam crescimento da incidência em diversos países, indicando que se trata de um fenômeno global. A orientação é que jovens fiquem atentos aos sinais do corpo e busquem avaliação médica diante de sintomas persistentes.



