O número de diagnósticos de câncer entre jovens e adultos até 50 anos cresceu 284% em uma década no Brasil, segundo dados do painel de oncologia do DataSUS. A mudança no perfil da doença preocupa médicos e autoridades de saúde e reforça o debate sobre hábitos de vida e prevenção.
O oncologista Carlos Fruet explicou, em entrevista à CBN Ribeirão Preto, que a maioria dos casos está diretamente relacionada ao estilo de vida. Segundo ele, fatores como obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e tabagismo têm peso determinante nesse avanço silencioso, mas significativo, da doença entre pessoas mais jovens.
O especialista destaca que apenas uma parcela menor dos casos tem origem exclusivamente genética, o que amplia a importância de medidas preventivas adotadas ao longo da vida.
Hábitos de vida
De acordo com o oncologista, entre 80% e 85% dos casos de câncer estão associados a fatores que podem ser prevenidos ou controlados. A obesidade, por exemplo, é apontada hoje como um risco tão grande quanto o consumo de álcool e o tabagismo, devido ao processo inflamatório crônico que provoca no organismo.
Além disso, o sedentarismo também contribui para o aumento dos diagnósticos. Estudos indicam que a prática regular de atividade física pode reduzir em até 30% o risco de desenvolvimento de determinados tipos de câncer.
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O consumo de cigarros eletrônicos, os chamados vapes, também preocupa a comunidade médica. Embora ainda sejam relativamente recentes, já são considerados fatores de risco para diversos tipos de câncer, como pulmão, garganta, esôfago e estômago.
Diagnóstico precoce
Outro desafio destacado é a necessidade de adaptação do sistema de saúde para diagnósticos cada vez mais precoces. Exames que antes eram recomendados apenas para pessoas acima de 55 anos, como a colonoscopia, hoje já passaram a ser indicados a partir dos 45 anos.
Segundo o médico, o aumento da demanda por exames exige reestruturação tanto do Sistema Único de Saúde quanto da saúde suplementar, incluindo investimentos em tecnologia e inteligência artificial. Isso se torna ainda mais relevante considerando que cerca de 80% da população brasileira depende exclusivamente do SUS.
Em Ribeirão Preto, dados da Secretaria Municipal da Saúde apontam que, no ano passado, 111 pessoas com menos de 50 anos morreram em decorrência do câncer, o maior número registrado na última década, seguindo a tendência observada em nível nacional.
Vacinação preventiva
A vacinação também aparece como ferramenta fundamental na prevenção. O oncologista lembra que a vacina contra o HPV, disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos de até 14 anos, é capaz de prevenir praticamente todos os casos de câncer de colo do útero.
Além disso, a imunização também reduz o risco de câncer de pênis, canal anal e garganta, todos associados ao vírus HPV. Já a vacina contra a hepatite B é essencial na prevenção do câncer de fígado, um dos tipos que mais têm crescido nos últimos anos.
Para o especialista, a prevenção deve começar ainda na infância, com estímulo à alimentação saudável, prática de atividades físicas e vacinação em dia.



