Redução expressiva reflete impacto das ações de controle e prevenção
O número de casos confirmados de dengue no primeiro semestre deste ano caiu quase pela metade em comparação com o mesmo período do ano passado, assim como o número de mortes causadas pela doença. A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde de Ribeirão Preto, Luzia Marcia Romoenoli Passos, atribui essa redução à intensificação das ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue, e ao predomínio do sorotipo 2 do vírus, que já havia circulado amplamente no ano anterior, reduzindo o número de pessoas suscetíveis.
“Desde o início do ano intensificamos as ações de combate, principalmente ao mosquito vetor, com a realização de várias atividades. O predomínio do sorotipo 2, que já circulava no ano passado, contribuiu para a redução, pois diminuiu o número de pessoas suscetíveis”, explicou Luzia.
Ela ressaltou que a dengue apresenta imunidade sorotípica, ou seja, uma pessoa infectada por um sorotipo do vírus fica imune a ele. No entanto, atualmente circulam em Ribeirão Preto três sorotipos da dengue (1, 2 e 3), o que mantém o risco de epidemias futuras, especialmente pelo sorotipo 3, que já está presente na cidade.
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“Se não cuidarmos da infestação do mosquito, há risco de epidemia pelo sorotipo 3, que já está convivendo conosco neste ano”, alertou a diretora.
Além da dengue, o mosquito Aedes aegypti também transmite o vírus da chikungunya, que circula na cidade. Por isso, a diretora reforçou a importância de manter os cuidados para evitar a proliferação do mosquito, mesmo durante o período de seca, quando a população tende a relaxar as medidas preventivas.
“Mesmo na época de seca, temos criadouros fixos dentro das casas, como ralos, pratos de vasos e bebedouros de animais, que não dependem da chuva. É fundamental eliminar esses criadouros diariamente”, destacou Luzia.
Em junho deste ano, foram notificados 1.300 casos suspeitos de dengue em Ribeirão Preto, contra mais de 4.500 no mesmo mês do ano passado. Até o momento, foram confirmadas 11 mortes por dengue no primeiro semestre, número inferior às 22 mortes registradas no mesmo período de 2023, mas que ainda preocupa as autoridades.
As ações de combate ao mosquito continuam, incluindo arrastões semanais para recolhimento de materiais que possam conter ovos do mosquito e visitas domiciliares. Além disso, foram instaladas estações disseminadoras com larvicida na região da Vila Virgínia para atingir criadouros inacessíveis.
“As ações são contínuas e a colaboração da população é fundamental para evitar o aumento da infestação e novos casos”, afirmou Luzia.
Por fim, a diretora convocou os adolescentes que ainda não receberam a segunda dose da vacina contra a dengue a procurarem as unidades de saúde para completar a imunização.
Pontos-chave
- Redução de quase 50% nos casos e mortes por dengue no primeiro semestre de 2024 em Ribeirão Preto.
- Predomínio do sorotipo 2 do vírus da dengue contribui para a diminuição dos casos.
- Circulação simultânea dos sorotipos 1, 2 e 3 mantém risco de epidemias futuras.
- Ações contínuas de combate ao mosquito e vacinação são essenciais para controle da doença.
Entenda melhor
A dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em água parada. A imunidade adquirida é específica para cada sorotipo do vírus, o que significa que a infecção por um sorotipo não protege contra os outros. Por isso, a circulação de múltiplos sorotipos pode levar a ciclos epidêmicos.



