A doença de Crohn, inflamação intestinal crônica e sem cura, tem apresentado crescimento expressivo no Brasil. Dados do Sistema Único de Saúde indicam que, entre 2012 e 2022, os casos quase quadruplicaram. O estado de São Paulo concentra a maior prevalência do país, com até 52 casos a cada 100 mil habitantes.
Apesar do avanço nos registros, o diagnóstico ainda costuma ser tardio. Em média, uma pessoa leva cerca de dois anos para descobrir que convive com a doença, já que os sintomas podem ser confundidos com outros distúrbios intestinais, como a síndrome do intestino irritável.
Sintomas comuns
Dor abdominal crônica, episódios recorrentes de diarreia e perda de peso estão entre os principais sinais da doença de Crohn. Em muitos casos, os sintomas surgem, desaparecem e retornam ao longo do tempo, o que dificulta a identificação do problema.
Segundo o coloproctologista Ítalo Medeiros, apesar da semelhança clínica com outras condições intestinais, os exames são decisivos para diferenciar os diagnósticos. Enquanto na síndrome do intestino irritável as alterações laboratoriais são raras, na doença de Crohn elas costumam aparecer de forma consistente.
Diagnóstico clínico
A investigação da doença envolve exames que evidenciam inflamação intestinal, permitindo diferenciar a Crohn de outras patologias com sintomas semelhantes. Estudos do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto mostram que a condição afeta principalmente adultos jovens entre 20 e 50 anos.
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De acordo com o especialista, quando a investigação é iniciada, as alterações aparecem em praticamente todos os exames realizados, o que ajuda a confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado.
Causas multifatoriais
A causa exata da doença de Crohn ainda é um desafio para a medicina, mas já se sabe que se trata de uma condição multifatorial. Entre os fatores associados estão a alimentação industrializada, predisposição genética, alterações na resposta imunológica e características específicas da microbiota intestinal.
Esses elementos, quando combinados, podem desencadear a inflamação crônica do trato digestivo, exigindo acompanhamento médico contínuo.
Complicações possíveis
Sem tratamento, a doença pode provocar complicações que vão além do intestino. Pode haver comprometimento dos olhos, da pele e das articulações, além de problemas intestinais graves, como sangramentos persistentes, fístulas e perfurações abdominais, algumas delas com necessidade de cirurgia de urgência.
Apesar disso, com tratamento adequado, muitos pacientes conseguem passar longos períodos sem sintomas e manter qualidade de vida.
Avanços no tratamento
Mesmo com o aumento no número de casos, os dados do SUS mostram uma evolução positiva no manejo da doença. Em dez anos, a taxa de internações caiu de 6,19% para 2,52%, e a proporção de procedimentos cirúrgicos por paciente foi reduzida em 55%.
A melhora é atribuída ao avanço dos estudos e ao aumento do diagnóstico precoce, reforçando a importância de procurar um especialista diante de sintomas persistentes.



