Somente em 2023 foram registrados 178 novos casos da doença e 85 de AIDS; enfermeira comenta os números
O boletim epidemiológico de Ribeirão Preto indicou que a taxa de detecção de casos de HIV em pessoas com 13 anos ou mais está acima da média nacional. Em 2023, foram registrados 178 novos casos de HIV e 85 de AIDS no município, com uma taxa de 25 casos por 100 mil habitantes, enquanto a média nacional é de 17 por 100 mil.
Capacidade de diagnóstico ampliada: Simone Zussi, enfermeira da equipe técnica do programa de DST, AIDS, tuberculose e hepatites virais de Ribeirão Preto, explicou que o aumento dos diagnósticos reflete a maior capacidade do sistema municipal de saúde em realizar testes, tanto na atenção primária quanto nos centros de testagem e aconselhamento. Esse crescimento está relacionado à ampliação da oferta de tecnologias de prevenção, como a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), que exige a realização do teste de HIV antes do início do uso.
Impacto da pandemia e importância do diagnóstico
Segundo Simone, a pandemia de Covid-19 causou uma queda nos diagnósticos de HIV, mas desde então os números vêm aumentando. Ela destacou que identificar as pessoas que vivem com HIV é fundamental para garantir o acesso ao tratamento antirretroviral, melhorar a qualidade de vida e alcançar as metas da Organização das Nações Unidas (ONU) conhecidas como 95-95-95: 95% das pessoas com HIV sabendo do diagnóstico, 95% dessas em tratamento e 95% com carga viral indetectável, o que impede a transmissão do vírus.
Desafios do preconceito e perfil dos casos: O preconceito continua sendo uma barreira significativa para o diagnóstico e adesão ao tratamento. Simone ressaltou que o medo do diagnóstico e a desinformação afastam muitas pessoas dos serviços de saúde. Ela recomendou que a população busque informações em fontes confiáveis e utilize os serviços públicos disponíveis, como as unidades básicas de saúde e os Centros de Testagem e Aconselhamento (CTAs), presentes em cada distrito da cidade.
Em relação ao perfil epidemiológico, a enfermeira informou que há maior incidência entre homens jovens, especialmente na faixa etária de 15 a 29 anos, com escolaridade superior a 12 anos, e que fazem sexo com outros homens. Também foi observado um aumento nos diagnósticos entre mulheres, o que indica maior procura pelos serviços de saúde. Determinantes sociais como pobreza, identidade de gênero e dificuldades de acesso influenciam a vulnerabilidade ao HIV e ao acesso aos serviços.
Informações adicionais
Todos os métodos de prevenção e tratamento do HIV, incluindo preservativos, gel lubrificante, PrEP, Profilaxia Pós-Exposição (PEP) e tratamento antirretroviral, são disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Ribeirão Preto.



