Somente no final de semana, delegacias de Araraquara e São Carlos receberam cinco ocorrências por crimes contra a mulher
O número de denúncias por violência contra a mulher tem crescido na região. Somente no último fim de semana, cinco casos foram registrados em Araraquara e São Carlos.
Tipos de Violência
De acordo com especialistas, a violência psicológica é predominante. Em um dos casos, um homem ameaçou sua ex-mulher, desrespeitando uma medida protetiva. Em outro, uma mulher relatou à polícia sofrer agressões do marido há 19 anos.
A Perspectiva da Psicóloga
A psicóloga Naira Marioto destaca que a violência contra a mulher muitas vezes está enraizada em questões culturais, com o agressor se considerando superior e a mulher como sua propriedade. Argumentos como genética, hormônios ou álcool são usados para justificar o comportamento violento. A psicóloga ressalta que muitos agressores têm uma visão distorcida dos papéis de gênero, sentindo-se até mesmo como vítimas, e culpando a mulher pela agressão.
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A culpa é um sentimento comum entre as vítimas, que, após pedidos de desculpas e justificativas do agressor, têm sua autoestima abalada e passam a acreditar que merecem o tratamento abusivo. Sair de um relacionamento abusivo é difícil e pode ser perigoso, podendo culminar em feminicídio.
Rompendo o Silêncio
Diversos fatores impedem as mulheres de denunciarem seus agressores: dependência emocional e financeira, medo da morte ou da morte dos filhos, falta de acesso ou confiança nos serviços de apoio, desconhecimento dos direitos e sentimento de culpa e vergonha. É crucial lembrar que a violência contra a mulher não se limita à violência física; xingamentos, depreciação e humilhação também causam traumas profundos. Para romper o ciclo de violência, a mulher precisa de apoio da família, amigos e da rede de atendimento à mulher. Leis mais efetivas que encorajem as denúncias também são necessárias, assim como um sistema de justiça que proteja as vítimas e puna os agressores.



