Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, pessoas que mudam de município não transferem o título de eleitor
O Brasil apresenta uma peculiaridade em 493 cidades: o número de eleitores supera o de moradores. Este fenômeno, observado em municípios de diversos portes, levanta questionamentos sobre o sistema eleitoral e a mobilidade populacional.
Mais eleitores que habitantes: o caso de Ribeirão Preto
Na região de Ribeirão Preto, duas cidades ilustram essa situação. Em Cássia dos Coqueiros, com pouco mais de 2.500 habitantes, são registrados mais de 2.800 eleitores. Em Rifaina, a diferença é ainda maior, com 3.640 moradores e 4.352 eleitores, representando um acréscimo de 20% de eleitores em relação à população.
Possíveis explicações para o fenômeno
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a discrepância se deve, em grande parte, à falta de atualização cadastral. Muitos eleitores que se mudam de cidade não transferem seu título, permanecendo registrados em seu antigo domicílio. Para o IBGE, essas pessoas não são mais consideradas residentes, mas para a Justiça Eleitoral, continuam eleitoras. A economista Maria Angelica Luquesi relaciona o fenômeno às dificuldades do mercado de trabalho em cidades menores, levando jovens a buscarem oportunidades em outros locais, sem, contudo, atualizarem seus dados eleitorais. Desde 2018, o número de cidades com mais eleitores que habitantes cresceu 61% no Brasil.
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A importância do voto consciente
Para o sociólogo Baldo Silveira, é fundamental que os cidadãos exerçam seu direito ao voto, mesmo que isso exija deslocamento. O voto representa a delegação de poderes, a escolha de representantes para governar. Com o primeiro turno das eleições marcado para 15 de novembro, e a possibilidade de segundo turno em algumas cidades, a conscientização da população sobre a importância do voto para a democracia se torna ainda mais crucial.



