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O cenário competitivo de games no Brasil está em alta, transformando o hobby de muitos em profissão lucrativa. Para entender melhor esse universo, conversamos com Thiago Brigger, educador físico de jogadores de League of Legends (LoL), e Nicolas Boc, jogador, ex-treinador e atualmente gerente de times de e-sports.
Organização do Esporte Eletrônico: Federações e Desenvolvedoras
Diferentemente do futebol, onde a organização de campeonatos é mais descentralizada, o cenário de e-sports é fortemente influenciado pelas desenvolvedoras dos jogos. Empresas como a Riot Games (LoL) têm forte intervenção, organizando campeonatos e oferecendo suporte financeiro aos clubes. Já a Valve (Counter-Strike, Dota 2) adota uma postura menos intervencionista, definindo apenas os campeonatos oficiais. Para contrabalancear o poder das desenvolvedoras, surgiram associações como a BCDE (Associação Brasileira de Clubes de Esporte Eletrônico).
De Hobby a Carreira Profissional: Contratos e Remuneração
A trajetória de um jogador profissional de e-sports pode começar como hobby, mas o talento e a dedicação podem levá-lo a contratos com times profissionais. A remuneração vem de premiações em campeonatos, patrocínios e, principalmente, da audiência gerada pelos jogos, que atrai patrocinadores e investimentos. A Riot Games, por exemplo, exige contratos de trabalho formais para os jogadores que participam de seus campeonatos.
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Riscos à Saúde e Bem-Estar: Equilíbrio entre Game e Vida Real
A psicóloga Ariane Mello-Miquelet alerta para os riscos do excesso de tempo dedicado aos games, especialmente em adolescentes. Irritabilidade, problemas de visão, falta de atenção e outros problemas de saúde podem surgir com a falta de moderação. A especialista enfatiza a importância de limites de tempo, atividades ao ar livre e o papel dos pais em orientar os jovens e apoiar a profissionalização, sem descuidar da educação formal. Lucas Brito, especialista em esportes eletrônicos, complementa que, assim como em qualquer esporte, o excesso pode ser prejudicial. O importante é o equilíbrio entre o mundo virtual e a vida real.
O mercado de e-sports é promissor, democrático e inclusivo, com oportunidades para pessoas de diferentes perfis e origens. A ascensão de jogadores como Pedro Marcário (Lap), que se destacou em LoL, demonstra o potencial dessa carreira. O futuro indica um crescimento contínuo do setor, com a constante emergência de novos jogos e a ampliação da base de jogadores e espectadores.



