Ouça o programa que foi ao ar neste sábado (8), às 11h, em 90,5 FM e pelo site
Neste sábado, 8 de dezembro de 2018, o programa Almanaque da CBN discutiu o polêmico tema da “Escola sem Partido”. A discussão envolveu professores e analisou os embates entre famílias e educadores, buscando entender o papel da escola na sociedade.
O Princípio da Gestão Democrática e a Desconfiança
Desde a Constituição Federal de 1988, o princípio da gestão democrática na educação tem sido defendido. Embora existam desafios para alcançar uma escola mais participativa, a participação das famílias é fundamental para melhorar a qualidade do ensino, especialmente na rede pública. Experiências bem-sucedidas demonstram que famílias e professores podem dialogar e colaborar, mesmo com visões divergentes. No entanto, o movimento “Escola sem Partido”, com seu apelido de “Escola com Mordaça”, parte de um pressuposto de desconfiança, rompendo a possibilidade de uma relação pedagógica construtiva e prejudicando o desenvolvimento da cidadania e da tolerância.
A Terceirização da Educação e o Papel do Professor
A discussão também abordou a mudança na forma como a educação é vista. As famílias parecem estar terceirizando a responsabilidade da educação dos filhos para a escola, mas ao mesmo tempo querem monitorar os professores, criando um conflito de perspectivas. O movimento “Escola sem Partido” propõe uma lista de restrições ao trabalho docente, limitando a capacidade do professor de construir a consciência cidadã nos alunos. A falta de investimento na formação de professores e as precárias condições de trabalho também foram apontadas como problemas cruciais, que impactam diretamente na qualidade do ensino.
A Necessidade de Diálogo e a Desigualdade Estrutural
A busca por diálogo entre famílias e escola é fundamental, mas esse diálogo não deve significar sobreposição de papéis. O movimento “Escola sem Partido” parece ter a intenção de desviar o foco dos problemas reais da educação pública, como a falta de recursos, as péssimas condições de trabalho dos professores e a desigualdade estrutural do país. A discussão precisa se concentrar nas condições objetivas de vida, na valorização da profissão docente e na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A falta de investimento na educação pública e a desigualdade de acesso à tecnologia também foram apontadas como obstáculos para a construção de uma educação de qualidade.
Em suma, o debate evidenciou a necessidade de um diálogo amplo e construtivo, que priorize a melhoria das condições de trabalho dos professores, o investimento na educação pública e o combate à desigualdade estrutural, ao invés de focar em restrições e controles que prejudicam a formação cidadã dos alunos.



