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O programa CBN Esportes teve a honra de receber o carateca Ricardo Aguiar, de Ribeirão Preto, que iniciou sua jornada esportiva aos 10 anos. Sua trajetória é marcada por uma reviravolta curiosa: de jogador de futebol (com passagens por Botafogo e São Paulo) a carateca, inspirado pelos filmes de Bruce Lee. Um golpe acidental na TV de casa selou seu destino, incentivado por sua mãe.
Uma Carreira de Conquistas
Ricardo acumula mais de 52 títulos como atleta, além de inúmeras conquistas como técnico. Entre seus feitos, destacam-se 13 títulos brasileiros (entre atleta e técnico), 5 sul-americanos como técnico e 3 como atleta, 3 pan-americanos como atleta e 3 como técnico. Além disso, alcançou o quinto lugar no Campeonato Mundial como atleta e, como técnico, acompanhou o campeão mundial sub-21 na Espanha em 2013 e um título mundial na Alemanha em 2014.
Superando Preconceitos e Construindo Disciplina
Ricardo abordou a diminuição do preconceito em relação às lutas, destacando que, embora ainda existam “bad boys”, a atmosfera do tatame transforma os praticantes. Ele ressalta a importância da disciplina e do respeito mútuo, onde a hierarquia das faixas é natural e a desigualdade social se dissolve. O Karatê, ou “caminho das mãos vazias”, busca esvaziar a mente de sentimentos ruins, promovendo o equilíbrio necessário para o desenvolvimento.
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A Filosofia Oriental e a Adaptação Cultural
Embora a filosofia oriental seja fundamental, Ricardo enfatiza a necessidade de adaptação cultural. Sua experiência no Japão, onde vivenciou costumes que seriam considerados agressivos no Ocidente, o ensinou a importância do equilíbrio e da constância. Ele adapta o conteúdo de seus ensinamentos à realidade brasileira, evitando conflitos e promovendo uma didática mais adequada.
A Importância da Referência e do Respeito
Ricardo compartilha histórias de pais que o procuram como “sensei”, demonstrando o impacto de sua liderança no comportamento de seus alunos. Ele cita o filme “O Último Samurai” como exemplo da cultura de respeito e educação presente no Japão, onde o professor é altamente valorizado. Essa cultura, embora difícil de replicar integralmente no Brasil, é fundamental para o crescimento e a educação.
Diferenças entre Karatê, Judô e Kung Fu
Ricardo explicou as diferenças básicas entre as artes marciais. O Judô foca no corpo a corpo e na projeção ao solo. O Karatê utiliza golpes de braço e perna em diferentes distâncias, com movimentação constante. O Kung Fu, originário da China e precursor do Karatê, também utiliza técnicas de braço e perna, mas possui uma vertente mais folclórica.
As Faixas no Karatê
Existem quatro estilos mais conhecidos de Karatê: Shotokan (o mais difundido), Goju-ryu, Shito-ryu, Wado-ryu e Shorin-ryu. No estilo Shotokan, há sete faixas: branca, amarela, vermelha, laranja, verde, roxa, marrom e preta. A progressão entre as faixas é avaliada a cada seis meses, considerando a condição física, a técnica (individual e de kata), e o comitê (luta).
A dedicação e o treinamento regular são essenciais para se tornar um sensei, um processo que leva em média de quatro a seis anos. O Instituto Ricardo Aguiar, em Ribeirão Preto, oferece aulas diárias e recebe atletas de todo o Brasil e do mundo, promovendo o Karatê e seus valores.
A trajetória de Ricardo Aguiar demonstra a importância da disciplina, do respeito e da adaptação cultural no mundo das artes marciais. Sua paixão pelo Karatê e sua dedicação ao ensino inspiram gerações de atletas e promovem um estilo de vida equilibrado e saudável.



