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A cefaleia, popularmente conhecida como dor de cabeça, é uma condição comum que afeta milhões de brasileiros. Para entender melhor esse problema e as opções de tratamento disponíveis, conversamos com especialistas da área, os doutores José Geraldo, da USP de Ribeirão Preto, e Marcelo Cedrinho Ciciarelli, neurologista.
A Abordagem Multidisciplinar no Tratamento da Cefaleia
O Dr. José Geraldo destacou a importância de uma abordagem multidisciplinar no tratamento da cefaleia. A escola cefaliátrica da USP, onde atua, adota esse modelo, reunindo diversos profissionais para abordar o paciente de forma integral. Essa abordagem permite identificar comorbidades, como a relação entre a disfunção temporomandibular (DTM) e a dor de cabeça. Tratar ambas as condições simultaneamente se mostra mais eficaz do que focar em apenas uma delas.
Além disso, dores na musculatura cervical também podem estar relacionadas à cefaleia. O tratamento dessas dores cervicais pode diminuir a frequência das crises de enxaqueca. Essa visão abrangente, que considera as doenças comórbidas, tem proporcionado reconhecimento nacional e internacional ao serviço da USP.
Atividade Física como Fator de Proteção
A atividade física regular, especialmente a aeróbica, é um importante aliado no combate à cefaleia. Ela promove o relaxamento, a liberação de neurotransmissores benéficos (como serotonina e noradrenalina) e a produção de analgésicos endógenos. Além disso, melhora a circulação cerebral e a eliminação de toxinas pró-inflamatórias, que podem desencadear crises de dor.
No entanto, é importante ressaltar que esportes com traumas repetitivos na cabeça, como futebol americano, boxe e rugby, podem ter o efeito contrário, aumentando o risco de cefaleia e outros problemas neurológicos.
Riscos da Automedicação e a Importância da Prevenção
O fácil acesso a medicamentos para dor de cabeça no Brasil representa um risco para a população. A automedicação excessiva pode causar anemia, gastrite, nefrite, hepatite e até a necessidade de transplantes. Além disso, o uso abusivo de analgésicos inibe a produção de analgésicos endógenos, tornando o paciente mais sensível à dor e levando a um ciclo vicioso difícil de quebrar.
É fundamental lembrar que a dor não é normal e serve como um alerta do organismo. Se a frequência do uso de analgésicos se torna um hábito, é importante buscar orientação médica para identificar a causa da dor e prevenir complicações.
Tratamentos Inovadores e Alternativos
Além dos tratamentos convencionais, existem abordagens inovadoras para a cefaleia, como o uso da toxina botulínica (Botox) para enxaquecas crônicas. A toxina é aplicada em pontos específicos da cabeça, pescoço e ombro, com resultados promissores na redução da frequência das dores.
Tratamentos não convencionais, como massagens e óleos essenciais, podem ter um efeito placebo benéfico, complementando o tratamento médico. Técnicas de relaxamento, sono adequado, atividade física e evitar o jejum prolongado também são importantes medidas alternativas. Além disso, alguns nutracêuticos, como magnésio, coenzima Q10 e vitamina B2, podem ser utilizados como coadjuvantes no tratamento profilático.
Em suma, a cefaleia é uma condição complexa que exige uma abordagem individualizada e multidisciplinar. A busca por um diagnóstico preciso e o acompanhamento médico adequado são fundamentais para o alívio da dor e a melhora da qualidade de vida.



