Fotógrafa, que é suspeita de assassinar o namorado, também é investigada por fraude processual, já que limpou o local do crime
Brenda Carolini Pereira Xavier, acusada de matar o corretor de imóveis Carlos Felipe Camargo da Silva, se apresentou à polícia na manhã desta quinta-feira, após a Justiça decretar sua prisão preventiva. O crime ocorreu em 3 de março na residência do casal no bairro Ribeirão Verde, zona leste de Ribeirão Preto. A vítima chegou a ser socorrida e levada à UPA Norte, mas morreu horas depois.
Entrega à polícia e decisão judicial
Segundo o repórter Lucas Faleiros, que acompanhou os desdobramentos desde cedo na sede da delegacia, a presa passou por exame de corpo de delito e permanecerá recolhida. A determinação da Justiça, proferida na quarta-feira, foi acatada pela polícia e a acusada será inicialmente encaminhada para a penitenciária feminina de Franca e, posteriormente, para um centro de detenção provisória.
Elementos das investigações
O laudo pericial indica que a vítima sofreu ao menos nove facadas. O delegado Rodolfo Latif-Seba, chefe das investigações, informou que o Ministério Público concordou com o pedido de prisão com base no conjunto probatório e nos requisitos da prisão preventiva: garantia da ordem pública, aplicação da lei penal e conveniência da instrução criminal. Os investigadores também vão reanalisar o telefone celular da acusada.
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Para a polícia, fatores como a quantidade de perfurações, a região atingida, a fuga do local logo após o crime e a possibilidade de alteração da cena — com registro de lavagem do ambiente — fragilizam a tese inicial apresentada de legítima defesa. O delegado destacou ainda a existência de lesões na acusada, consideradas no inquérito, mas que, segundo a investigação, não justificariam a morte nas circunstâncias apuradas.
Versão da defesa e relatos de familiares
O advogado de defesa, Alexandre Durante, mantém a tese de legítima defesa e afirmou que a cliente colaborou com as investigações. Segundo ele, Brenda tentou escapar em três ocasiões de agressões e agiu em situação de pânico. A defesa informou que pedirá o relaxamento da prisão preventiva ao longo do processo e que começará a trabalhar na estratégia de defesa.
Ainda segundo o advogado, a casa foi limpa por um irmão da acusada ao perceber sangue no chão, procedimento justificado pela presença de gatos no imóvel. A defesa também aponta episódios anteriores de agressão atribuídos à vítima, que ainda serão apurados, já que não constam boletins de ocorrência formais.
Por outro lado, familiares de Carlos relataram à reportagem que o rapaz não era violento e descreveram Brenda como uma pessoa de difícil convivência. Essas versões contrastantes serão investigadas pela polícia, pelo Ministério Público e pela Justiça ao longo do processo.
O caso segue em apuração, com perícias e reanálises pendentes e novas diligências previstas para esclarecer as circunstâncias do crime.



