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Células-tronco do dente de leite podem tratar má formação na boca

Método que tem aplicação discutida por pediatras é mais eficiente e barato que tratamento convencional
células-tronco dente de leite
Método que tem aplicação discutida por pediatras é mais eficiente e barato que tratamento convencional

Método que tem aplicação discutida por pediatras é mais eficiente e barato que tratamento convencional

Muito além do uso de células-tronco do cordão umbilical em tratamentos de doenças sanguíneas, a ciência explora o potencial terapêutico das células-tronco presentes na polpa dentária de dentes de leite. Segundo o médico José Ricardo Muniz Ferreira, presidente do Centro de Tecnologia Celular, essas células são consideradas adultas, diferentemente das células-tronco embrionárias. Sua característica adulta confere a elas a capacidade de se diferenciar em diversos tipos celulares, como células formadoras de ossos, cartilagem, gordura, músculos e neurônios, abrindo caminho para uma ampla gama de aplicações.

Segurança e Aplicações Promissoras

Dados do DataSUS, analisados pela ONG Criança Segura, apontam quedas (47%) e queimaduras (16%) como principais causas de internação infantil. A pesquisa com células-tronco da polpa dentária mostra-se promissora para reduzir esses números, com aplicações em regeneração óssea, tratamento de doenças cardíacas, diabetes, câncer, Alzheimer, paralisia cerebral e lábio-leporino. A dentista e pesquisadora Daniela Franco-Bueno utiliza essas células na produção de ossos, auxiliando pacientes com fissura lábio-palatina (lábio-leporino).

Revolucionando o Tratamento do Lábio Leporino

O procedimento com células-tronco do dente de leite melhora significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Tradicionalmente, a reconstrução óssea para corrigir o lábio leporino envolvia a retirada de um pedaço do osso ilíaco, exigindo duas cirurgias. Com o uso das células-tronco, a extração do dente de leite, isolamento das células em laboratório e sua associação a um biomaterial, permitem fechar o osso da boca em uma única cirurgia, diminuindo o sofrimento do paciente e acelerando a recuperação. Estudos clínicos no Hospital Sírio-Libanês e no Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, no Rio de Janeiro, com 15 crianças, mostraram resultados satisfatórios, com fechamento completo do osso alveolar em todas as participantes após seis meses, e acompanhamento seguro por até um ano.

Depoimentos e Considerações Finais

A fonoaudióloga Patrícia Tadeu Gomes Pinto, cuja filha participou do estudo, destaca a redução do sofrimento e a ausência de dor no pós-operatório. A Dra. Franco-Bueno enfatiza a importância de escolher laboratórios idôneos, regulamentados pela ANVISA e Conselho Federal de Odontologia, para garantir a qualidade do armazenamento das células-tronco. O custo do procedimento varia, mas gira em torno de R$ 3.000,00, além de uma taxa anual de manutenção. O material pode ser armazenado por tempo indeterminado. A pesquisa ainda está em andamento, mas os resultados iniciais são animadores e apontam para um futuro promissor no tratamento de diversas condições, utilizando um recurso acessível e de fácil obtenção.

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