Área queimada já corresponde a 1.400 campos de futebol; Pedro Favareto analisa o impacto ambiental
Uma seca prolongada aliada a incêndios florestais de grandes proporções tem devastado a região, causando prejuízos significativos à agricultura, à pesca e à produção de cana-de-açúcar. A situação é crítica, com impactos que se estendem por toda a cadeia produtiva.
Devastação Ambiental: Incêndios em Áreas Protegidas
Os incêndios, que já duram uma semana em locais como a Estação Ecológica de Jataí (a maior área de cerrado do estado de São Paulo), têm consumido uma área equivalente a mais de 1.400 campos de futebol. A dificuldade de acesso aos focos de incêndio, espalhados por diferentes pontos, dificulta o trabalho dos brigadistas e bombeiros, que atuam dia e noite para conter as chamas. O impacto sobre a fauna e a flora é devastador, especialmente considerando que a região já havia sido afetada por incêndios no ano anterior e estava em processo de recuperação.
Impacto na Biodiversidade: Ameaça à Fauna e Flora
O biólogo Pedro Favareto, que atua na UNESCO e em Jaboticabal, destaca a gravidade da situação. Segundo ele, a queimada sucessiva impede a regeneração da vegetação, causando a perda de biodiversidade e a morte de diversas espécies animais, desde grandes mamíferos como o lobo-guará e a anta, até invertebrados e pequenos vertebrados. Muitas espécies ameaçadas de extinção são afetadas, incluindo algumas ainda não catalogadas pela ciência. A destruição do habitat e a perda de fontes de alimento geram um desequilíbrio no ecossistema, forçando animais silvestres a buscar recursos em áreas urbanas, como demonstrado por recentes avistamentos de onças e lobos-guarás em cidades próximas.
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Consequências a Longo Prazo e Ações de Recuperação
A destruição do ecossistema causada pelos incêndios tem consequências de longo prazo. A perda de habitat e de fontes de alimento afeta toda a cadeia alimentar, levando a um desequilíbrio que pode ser irreversível em alguns casos. A recuperação da fauna e da flora é um processo lento e complexo, que exige um esforço conjunto de biólogos, zoológicos e outras instituições. O trabalho de resgate e reabilitação de animais feridos é intenso e muitas vezes doloroso, com animais chegando às instituições com queimaduras graves, cegueira e perda de membros. Em alguns casos, a reabilitação para o ambiente natural se torna inviável, devido à gravidade das lesões.



