Ouça a coluna ‘CBN Economia’, com Nelson Rocha Augusto
A recente alta do dólar, atingindo patamares não vistos desde 2003, somada à instabilidade econômica e a um cenário político-policial incerto, tem gerado um comportamento defensivo entre os agentes econômicos. Mas, afinal, de quem é a culpa?
Fundamentos Econômicos e a Política Brasileira
Contrariamente ao que se pode pensar, os fundamentos econômicos do Brasil permanecem sólidos. A política econômica, desde novembro do ano anterior, tem sido conduzida com maior disciplina, prudência, combate à inflação e responsabilidade fiscal. Esses fundamentos, embora ainda não totalmente visíveis, apresentarão resultados a médio prazo. A turbulência atual reflete mais a insegurança política do que falhas intrínsecas na economia.
A Insegurança Política e o Comportamento Defensivo
O cenário político e policial instável gera um nível de incerteza significativo. Questões como a aprovação de novas leis no Congresso e o desdobramento de denúncias criam um mar de dúvidas. Essa falta de previsibilidade leva os agentes econômicos a adotarem uma postura defensiva, como a compra de dólares, resultando em uma alta de 60% na taxa de câmbio nos últimos 12 meses. Empresários, em alguns casos, aumentam preços mesmo diante da baixa demanda, buscando se proteger em meio à incerteza.
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Instituições Brasileiras e a Busca por Estabilidade
Apesar do estresse, as instituições brasileiras têm demonstrado resiliência. O funcionamento do executivo, legislativo e judiciário, mesmo sob pressão, é um diferencial em relação a outros países emergentes. Acredita-se que, em algum momento, essa turbulência irá se acalmar, permitindo que os fundamentos econômicos voltem a impulsionar a recuperação da inflação e da atividade econômica.
O Banco Central, ciente da complexidade do cenário, sinaliza que manterá a taxa de juros estável nos próximos meses. Essa decisão, embora com uma taxa Selic alta, visa evitar movimentos bruscos que poderiam agravar a situação em um ambiente de incertezas.
Em meio a este momento de apreensão, o país se encontra no epicentro de desafios que se refletem nos preços dos ativos financeiros. Resta aguardar o desenrolar dos acontecimentos e torcer para que a estabilidade retorne.