Ouça as informações com Monize Zampieri
Centenas de honrarias concedidas pela Câmara Municipal de Ribeirão Preto a figuras políticas e personalidades permanecem esquecidas, aguardando a retirada pelos homenageados. Uma análise revela um curioso cenário onde o reconhecimento formal se perde entre a burocracia e o esquecimento.
O Descaso nas Homenagens
Segundo vereadores, após a aprovação dos projetos de decreto legislativo, muitos homenageados não demonstram pressa em agendar a cerimônia de entrega. No entanto, a realidade sugere que, frequentemente, os próprios vereadores negligenciam o acompanhamento dessas honrarias. A responsabilidade de contatar o homenageado e marcar a solenidade recai sobre cada parlamentar, o que, por vezes, resulta em um lapso de comunicação.
Casos Emblemáticos e Desconhecimento
Um caso notório é o do deputado Paulo Malufe, que, segundo declarações, sequer tinha conhecimento de ter recebido o título de cidadão ribeirão-pretano. O fato levanta questionamentos sobre a efetividade do processo de comunicação entre a Câmara e os homenageados. A prática de homenagear amigos, figuras políticas e até artistas, sem o devido acompanhamento, compromete o propósito do reconhecimento.
Regulamentação e Limitações
Para mitigar o acúmulo de honrarias não retiradas, um projeto de resolução de 2011 estabeleceu um prazo de validade de dois anos após a publicação no Diário Oficial, com exceção de casos com justificativa relevante. A medida também limitou a concessão de homenagens a duas por vereador ao ano, visando tornar o processo mais criterioso. Em anos de eleição municipal, a concessão de títulos é proibida nos três meses que antecedem o pleito, a fim de evitar conotações eleitoreiras.
Apesar das regulamentações, o grande número de honrarias pendentes demonstra que ainda há espaço para aprimorar a gestão desses reconhecimentos. A valorização das personalidades e figuras públicas homenageadas passa necessariamente pela efetiva entrega dos títulos e pela celebração do reconhecimento.



