No país, cerca de 30 mil pacientes aguardam na fila dos transplantes
O Brasil enfrenta uma grave crise no sistema de transplantes de órgãos. Cerca de 30 mil pessoas aguardam na fila por um transplante, sendo 15 mil apenas no estado de São Paulo. A espera pode durar anos, e a necessidade abrange diversos órgãos, como pulmões, coração, fígado, pâncreas, intestino, rins e córneas.
Déficit de Doações e Transplantes
Apesar de o Sistema Nacional de Transplantes completar 20 anos e ter realizado 100 mil transplantes nesse período, o número é considerado baixo pela coordenadora da Central de Transplantes da Secretaria da Saúde Estadual, Marisete Medeiros. Segundo ela, o país está longe de atender à demanda, com um déficit superior a 30% em alguns estados. São Paulo, apesar de liderar em número de transplantes (1014 doações de pessoas falecidas e quase 700 de doadores vivos em 2022), também se encontra distante da meta ideal de 40 doadores por milhão de habitantes, registrando apenas 22.
Doação de Órgãos: Um Ato de Solidariedade
A coordenadora destaca a importância da doação de órgãos após a morte, embora reconheça o papel crucial das doações em vida em situações críticas, principalmente para rins e pulmões. A doação de órgãos após a morte só é possível com o consentimento familiar, após a constatação e registro da morte encefálica, comprovada por exames. Para aumentar o número de doações, Marisete Medeiros defende a agilidade no diagnóstico de morte cerebral e investimentos em treinamento para profissionais de saúde na abordagem às famílias.
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Desafios e Soluções
A especialista aponta a dificuldade em identificar potenciais doadores, principalmente em casos de traumatismo craniano ou asfixia. A identificação rápida da morte encefálica é crucial, pois o tempo é crítico para a preservação dos órgãos. A atuação médica é fundamental nesse processo, seguido do trabalho de equipes especializadas em conversar com as famílias e solicitar a doação. Marisete Medeiros reforça que a decisão final sobre a doação cabe exclusivamente à família. A central de transplantes define o destino dos órgãos com base na gravidade da doença, tempo de espera e compatibilidade. Em Ribeirão Preto, foram realizados 468 transplantes no ano passado, sendo a maior fila de espera para transplante de rim (11 mil pacientes).
Aumentar a conscientização sobre a importância da doação de órgãos e otimizar os processos de identificação e autorização são passos essenciais para reduzir o número de pessoas na fila de espera e salvar vidas.



