Sobre o assunto e as estratégias para mitigar o problema, ouça a nutricionista da Secretaria da Educação, Helena Vassimon
Em Ribeirão Preto, durante a Semana Mundial da Alimentação, um dado alarmante foi levantado: 35 mil pessoas cadastradas no CadÚnico vivem em situação de pobreza ou extrema pobreza, muitas vezes sem acesso regular à alimentação. Este cenário de insegurança alimentar exige uma análise das políticas públicas existentes e a busca por soluções eficazes.
Políticas Públicas e o Combate à Insegurança Alimentar
A nutricionista Helena Vassimão, da Secretaria Municipal de Educação, membro do Conselho de Segurança Alimentar e da Câmara Intersectorial de Segurança Alimentar e Nutricional, destaca o aumento quase que duplicado no número de famílias cadastradas no CadÚnico entre 2020 e 2023. Este crescimento indica um número possivelmente ainda maior de pessoas em situação de insegurança alimentar em Ribeirão Preto, onde a renda per capita de muitas famílias é inferior a R$ 208. Helena ressalta que a insegurança alimentar engloba diferentes níveis de gravidade, desde a falta de acesso a alimentos básicos até a fome extrema.
Mapeamento e Ações para Minimizar o Problema
A dificuldade em mapear precisamente o perfil das pessoas em situação de insegurança alimentar em Ribeirão Preto é um desafio. Embora dados nacionais indiquem 33 milhões de brasileiros passando fome, informações mais detalhadas em nível municipal ainda são escassas. Projetos como o Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (previsto para 2024) visam melhorar este mapeamento. Entretanto, ações como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) já demonstram sua eficácia no combate à fome, garantindo refeições de qualidade para estudantes durante o período letivo. Outras medidas incluem o auxílio emergencial do Bolsa Família e a distribuição de cestas básicas.
Soluções de Longo Prazo e o Papel da Alimentação Escolar
Helena enfatiza que a solução para a fome requer políticas públicas que promovam o crescimento econômico, a geração de empregos e a redução da desigualdade social. A pesquisa de uma aluna da UNERP, que analisou a relação entre insegurança alimentar e obesidade em Ribeirão Preto, revela a complexidade do problema: alimentos mais baratos nem sempre são os mais saudáveis, levando a um cenário de fome acompanhada de doenças crônicas. O PNAE, além de combater a fome, promove a educação alimentar, oferecendo cardápios balanceados e incentivando o consumo de alimentos in natura e minimamente processados. Em Ribeirão Preto, a cozinha piloto da rede municipal serve de referência, elaborando cardápios que atendem às normas do Ministério da Educação e da Saúde, com foco na qualidade nutricional e na adaptação às necessidades das diferentes faixas etárias. A inclusão de alimentos como ovos e a redução de açúcar em creches são exemplos dessa abordagem. A escola também desempenha um papel fundamental na educação alimentar, incentivando a experimentação de novos alimentos e promovendo a conscientização sobre escolhas alimentares saudáveis.
A discussão sobre a insegurança alimentar em Ribeirão Preto destaca a necessidade de ações integradas que contemplem desde o auxílio imediato a famílias em situação de vulnerabilidade até a implementação de políticas de longo prazo que promovam a justiça social e o acesso equitativo a alimentos saudáveis e nutritivos.



