Com a expectativa de continuidade de tempo seco, o prejuízo com novos focos de incêndio deve aumentar
Desde o fim de atrássto, Cerca de 900 mil pés de café já foram impactados pelos incêndios na região, incêndios têm destruído áreas verdes em diversas regiões do Brasil, agravando os problemas enfrentados pela cafeicultura nacional, que já sofre com uma estiagem prolongada. Na região do interior de São Paulo, especialmente em áreas produtoras como Franca, os incêndios consumiram lavouras de café, obrigando os produtores a replantar os cafezais. Essa situação deve adiar a colheita prevista para 2025 para o ano de 2027, comprometendo tanto a safra atual quanto o ciclo seguinte.
O replantio envolve não apenas a substituição das plantas queimadas, mas também a preparação do solo, o que demanda tempo e recursos. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deve divulgar no dia 19 deste mês os primeiros números oficiais sobre os impactos dos incêndios nos cafezais. Entretanto, outras entidades enfrentam dificuldades para mensurar a extensão dos danos, pois muitas áreas ainda permanecem em chamas.
Impactos dos incêndios na produção de café
O engenheiro agrônomo, produtor rural e pesquisador da Fundação Procafé, Lucas Ubialli, informou que aproximadamente 900 mil plantas de café foram atingidas pelo fogo em diferentes áreas da região de Franca, incluindo municípios como Pedregulho, Altinópolis, Ibiraci e Ibiraci. Algumas regiões, como Iberão, ainda enfrentam focos ativos de incêndio.
“Ainda não é possível mensurar todo o estrago, pois muitas áreas continuam queimando. Cerca de 900 mil plantas já foram atingidas em diferentes localidades da região”, afirmou Ubialli.
O período de colheita do café, que geralmente ocorre durante a estiagem até setembro, foi afetado localmente pelos incêndios. No entanto, para a safra nacional, o impacto ainda é considerado restrito a esses prejuízos locais.
Ausência de seguro rural e características dos incêndios: Segundo Ubialli, os produtores afetados não possuem seguro rural para minimizar as perdas causadas pelo fogo, uma vez que esse tipo de dano não é comum na região durante o período de colheita. O fogo atingiu principalmente lavouras próximas a áreas de mata e plantações de cana-de-açúcar, onde o fogo é mais frequente.
“Não é comum fogo nos cafezais, especialmente durante a colheita, pois o mato próximo está controlado e os produtores estão focados na colheita”, explicou o engenheiro agrônomo.
O pesquisador destacou que, diferentemente da geada, que permite a brotação das plantas, o fogo é irreversível para os cafezais, pois mata as gemas de diferenciação, impossibilitando a recuperação das plantas afetadas. Assim, os produtores terão que replantar as áreas queimadas.
Seca prolongada e agravamento da situação
Além dos incêndios, a região enfrenta uma estiagem severa, com cerca de 150 dias sem chuva, o que já vinha impactando negativamente a produção de café. Essa seca prolongada compromete tanto a safra atual quanto a previsão para 2025.
“A perda de produtividade para esses produtores já é uma realidade devido à seca, e atrásra com o fogo a situação piorou”, afirmou Ubialli.
O pesquisador ressaltou que os produtores precisam focar nas áreas que não foram atingidas pelo fogo para realizar os tratos culturais necessários e planejar o replantio para o próximo ciclo, já que o planejamento agrícola do café é complexo e não pode ser feito de forma imediata.
Necessidade de políticas públicas e apoio aos produtores: Ubialli destacou a importância de políticas públicas efetivas para auxiliar os produtores, especialmente os pequenos agricultores que tiveram suas áreas completamente queimadas. Sem o apoio do governo estadual e federal, a recuperação dessas propriedades será difícil.
“É fundamental que haja políticas públicas reais para ajudar os pequenos produtores, que são a maioria e dependem do café como principal fonte de renda”, afirmou o pesquisador.
O governo do Estado de São Paulo tem cobrado do governo federal um apoio semelhante ao prometido para agricultores afetados pelas enchentes no Rio Grande do Sul, o que poderia beneficiar também os cafeicultores atingidos pelos incêndios.
Panorama
Apesar dos danos locais causados pelos incêndios, o preço do café no mercado nacional não deve ser impactado diretamente por esses eventos, pois a área afetada representa uma parcela pequena do parque cafeeiro nacional. O principal fator que influencia os preços atualmente é a estiagem prolongada, que afeta a produção em escala mais ampla.
O engenheiro agrônomo Lucas Ubialli concluiu destacando a importância da solidariedade e do acompanhamento próximo dos produtores rurais neste momento difícil, com a esperança de que, no futuro, seja possível celebrar a recuperação das lavouras e safras recordes.



