Ouça a coluna ‘CBN Educação Para a Vida’, com o professor João Roberto de Araújo
A ansiedade, transtorno mental que atinge cerca de 33% da população mundial, tem se mostrado um problema silencioso e de grande impacto na vida social e profissional de muitas pessoas. Apesar de sua prevalência e capacidade de inviabilizar a rotina, a busca por tratamento ainda é baixa, como apontam dados da Previdência Social, que a classificam como a terceira maior causa de afastamentos do trabalho no Brasil.
Ansiedade: O impacto no dia a dia
O professor João Roberto de Araújo ilustra o problema com uma metáfora: “Ansiedade é almoçar pensando no jantar”. Essa preocupação constante com o futuro rouba a atenção do presente, impedindo o pleno aproveitamento de cada momento e gerando um estado de insatisfação e vazio. A incapacidade de se ater ao “aqui e agora” resulta em uma sensação de fome constante, tanto física quanto emocional, comparável a um estado de zumbi, perdido e sem foco.
As raízes culturais da ansiedade
A raiz do problema, segundo o professor, está na nossa cultura e educação. Não nascemos ansiosos, mas nos tornamos. A pressão social, desde a infância, com perguntas como “O que você vai ser quando crescer?”, foca no futuro, desconsiderando o presente e o valor da experiência individual. Essa tendência se perpetua na vida adulta, com perguntas sobre casamento, futuro profissional e, na velhice, com a ênfase no passado. Essa constante preocupação com o que ainda não existe ou já passou nos impede de apreciar o presente, a jornada da vida.
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Educação como prevenção
Para combater a ansiedade, é crucial uma mudança na educação, desde a infância. Devemos ensinar as crianças a valorizar o momento presente e a lidar com as pressões externas. Como disse o pensador francês Albert Camus: “O melhor que podemos oferecer ao futuro é nos entregar inteiramente ao momento presente”. Preparar adultos e educadores para essa tarefa é fundamental para construir uma sociedade mais consciente e menos ansiosa.



