Ouça a coluna ‘CBN Comportamento’, com Daniele Zeoti
Causas e fatores de risco
Com a aproximação do feriado, especialistas chamam atenção para a elevação do consumo de bebidas alcoólicas e para os riscos associados ao alcoolismo. Segundo a psicóloga Daniely Zeotti, a dependência é multifatorial: envolve componentes genéticos, emocionais, sociais, culturais e ambientais. Estudos clínicos indicam que pessoas com histórico familiar têm até quatro vezes mais chance de desenvolver dependência. Além disso, dificuldades em lidar com frustrações e a forte presença do álcool na cultura social brasileira contribuem para o aumento do consumo e para a perda da moderação.
Sinais de dependência e impactos
O diagnóstico não se baseia apenas na quantidade ingerida, mas no impacto negativo do álcool na vida cotidiana. Indicadores incluem queda de rendimento no trabalho ou na escola, conflitos em relacionamentos, problemas com a justiça, episódios de agressividade, isolamento social e a necessidade de beber logo ao acordar. ‘O dependente alcoólico frequentemente tem dificuldade em reconhecer que sofre de uma doença’, afirma Daniely Zeotti, que ressalta a importância de observar mudanças de comportamento.
Prevenção, tratamento e cuidados especiais
O apoio da família e de amigos é fundamental para incentivar a busca por tratamento. Profissionais de saúde mental e grupos de apoio, como Alcoólicos Anônimos (AA), são apontados como recursos importantes no controle da doença. Entre adolescentes, o consumo tem crescido; sinais de alerta são mudanças bruscas de comportamento, queda no desempenho escolar, agressividade e troca do grupo de convívio. Pais são orientados a manter o diálogo aberto e vigilância para intervenção precoce.
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Há cuidados adicionais: misturar álcool com energéticos ou outras substâncias aumenta o risco de intoxicação. Mulheres grávidas não devem consumir bebida alcoólica devido à síndrome alcoólica fetal, que pode causar danos neurológicos permanentes. Café pode atenuar a sonolência, mas não reverte a embriaguez; o álcool costuma provocar desinibição inicial e, em seguida, agir como depressor do sistema nervoso central, afetando também o desempenho sexual.
Profissionais de saúde reforçam a necessidade de moderação durante datas festivas e recomendam atenção a sinais de risco, além da busca por apoio ao menor indício de dependência.