O preço da cesta básica voltou a subir em Ribeirão Preto e atingiu média de R$ 837,13 em maio de 2026. O valor representa uma alta de 5,69% em relação a abril e reflete principalmente o aumento de produtos como batata e feijão, impactados por problemas climáticos e redução da oferta.
Os dados são da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), com levantamento realizado pelo Instituto de Economia Maurílio Biagi (IEMB). O estudo também apontou diferenças significativas nos preços praticados entre as regiões da cidade, com variação superior a R$ 120.
Além do aumento dos alimentos, o levantamento mostrou que um trabalhador que recebe salário mínimo precisou comprometer mais da metade da renda mensal apenas para a compra da cesta básica, cenário que acende um alerta para o orçamento das famílias.
Alimentos mais caros
Entre os produtos que mais contribuíram para o aumento da cesta básica está a batata-inglesa, que registrou alta de 26,55% em maio. Segundo a análise econômica, a elevação está relacionada à redução da oferta nas principais regiões produtoras, ao fim da temporada das águas e às chuvas que dificultaram a colheita.
O feijão também apresentou aumento expressivo, de 9,6%. De acordo com a avaliação dos especialistas, o cenário foi influenciado pela oferta limitada, redução da área plantada, excesso de chuvas e manutenção da procura pelo produto.
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A docente em economia Beatriz Selan explicou que as mudanças climáticas têm impacto direto sobre a produção agrícola e acabam pressionando os preços pagos pelos consumidores.
Diferença regional
O levantamento identificou diferenças importantes entre os preços praticados nas regiões da cidade. A região Central apresentou o maior custo médio da cesta básica, chegando a R$ 891,35.
Já a região Oeste registrou os menores preços. Segundo a economista, fatores como concorrência entre supermercados, custos de aluguel e logística de distribuição ajudam a explicar as variações encontradas dentro do próprio município.
Para Beatriz Selan, a pesquisa de preços pode ser uma alternativa para os consumidores reduzirem os impactos da inflação sobre o orçamento doméstico, desde que o deslocamento não gere custos adicionais elevados.
Impacto no orçamento
O estudo apontou que um trabalhador que recebe salário mínimo comprometeu cerca de 55,83% da renda líquida mensal apenas com a compra da cesta básica em maio.
Segundo a economista, o percentual é preocupante porque reduz a capacidade das famílias de arcar com outras despesas essenciais, como moradia, transporte, saúde e educação.
Diante do cenário, ela recomenda planejamento financeiro, pesquisa de preços e substituição de alguns produtos que tiveram aumentos mais expressivos. Entre os exemplos citados está a troca da batata por alimentos como mandioca ou batata-doce, que podem oferecer características nutricionais semelhantes com menor custo.
Perspectivas
A expectativa é de que os preços continuem pressionados no curto prazo. Segundo a análise apresentada durante a entrevista, os efeitos das mudanças climáticas ainda impactam a produção agrícola e dificultam uma redução rápida nos valores dos alimentos.
Por isso, a orientação é que os consumidores mantenham atenção ao orçamento e adotem estratégias para minimizar os efeitos da alta dos preços enquanto o mercado busca recuperar os níveis de oferta.



