Ouça a coluna ‘CBN Sabor’, com Fernando Kassab
Você saberia citar de memória todos os chefs de cozinha que comandam os restaurantes da cidade? Ou, ainda, o número exato de estabelecimentos que têm chefs de cozinha gerenciando suas rotinas? Embora não impossível, essa imagem de profissionais vestindo dólmãs é relativamente nova no Brasil, apesar da existência de escolas de gastronomia, coquetelaria, vinho e serviços de hotelaria. Em volume e variedade, o Brasil era modesto na oferta de um futuro para quem ama culinária e gastronomia.
A Evolução da Gastronomia em Ribeirão Preto
Entre 1989 e 1993, Ribeirão Preto possuía, no máximo, dez restaurantes que poderiam ser considerados profissionais – desde a entrada até a cozinha. Nem todos tinham chefs de formação, já que o país não oferecia o curso em si, mas cursos de cozinheiros. O que se comia e avaliava era, muitas vezes, uma receita feita por uma senhora com anos de experiência, com uma equipe de mulheres igualmente experientes.
A Revolução em Branco e Preto
Hoje, é impossível caminhar por Ribeirão Preto sem notar a “revolução em branco e preto”: jovens indo ou voltando do trabalho em seus restaurantes, com jalecos brancos e calças xadrez. Essa imagem, que é nova, já se tornou uma referência de uma profissão jovem e antenada. E, embora a cozinha glamourosa nem sempre garanta a fidelidade dos clientes, percebemos o alvoroço em torno das vagas nos cursos de gastronomia e o aumento de pessoas sonhando em se tornar chefs.
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Um Case de Sucesso Brasileiro
Se esses jovens terão sucesso ou não, o tempo dirá. Mas, se eu fizesse o mesmo trabalho de 25 anos atrás como crítico gastronômico, Ribeirão Preto seria um modelo de cidade brasileira que soube perceber o momento do boom gastronômico, resultante da abertura do mercado, estabilidade econômica e, principalmente, da mudança na preferência dos jovens por essa área. Entre esses jovens, muitos sonhavam em ser médicos, engenheiros ou dentistas, mas optaram por abraçar os fogões e a vida na cozinha.
O Brasil segue apaixonando pessoas, como a cantora Stacy Kent, que gravou clássicos brasileiros como “Samba de Verão” e “Soul Nights”, de Tom Jobim, uma brisa de frescor bem-vinda.



