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China freia avanço dos carros autônomos após acidentes e endurece regras de segurança

Governo chinês restringe publicidade, revisa tecnologias e investe em treinamento humano para veículos inteligentes
China
Carros autônomos - Divulgação

Nos últimos anos, a China despontou como referência global em carros elétricos, inteligência artificial e veículos autônomos. No entanto, uma sequência de acidentes graves levou o governo a desacelerar o avanço dessas tecnologias, endurecer regras e rever a forma como os veículos inteligentes são apresentados ao consumidor.

A colunista Patrícia Lima analisou esse cenário e explicou que a mudança de rota ocorreu após episódios que colocaram em xeque a segurança dos carros autônomos. Um dos casos mais emblemáticos aconteceu em abril deste ano, quando três estudantes morreram após um veículo sem motorista colidir a 116 km/h contra uma barreira não identificada pelo sistema. Em outubro, outro incidente resultou na morte de um homem que ficou preso dentro de um carro após falha na abertura das portas, seguida de incêndio.

Os acidentes geraram forte pressão pública e levantaram questionamentos sobre a velocidade com que a tecnologia vinha sendo implementada. A China projetava um faturamento de cerca de US$ 183 bilhões com robotáxis até 2030, impulsionada pelo fato de apenas 40% da população possuir carro próprio, o que torna o transporte compartilhado essencial no país.

Diante do cenário, o governo chinês proibiu o uso de termos como “direção autônoma” e “inteligência” em anúncios publicitários. Segundo Patrícia Lima, as expressões transmitiam a ideia de que os veículos dispensavam completamente a interferência humana, o que levou parte dos usuários a desrespeitar leis de trânsito e assumir comportamentos de risco.

A especialista destacou que, mesmo em sistemas avançados, sempre há algum grau de comando humano, seja direto ou remoto. A ausência dessa percepção contribuiu para uma falsa sensação de segurança e para o aumento de ocorrências no trânsito.

Apesar do recuo, os robotáxis continuam operando em algumas cidades chinesas, atrásra com maior supervisão humana. O novo modelo prevê monitoramento remoto em tempo real, com operadores preparados para intervir em situações de risco. O principal desafio, segundo a colunista, é a falta de mão de obra especializada para exercer esse controle.

Para enfrentar o problema, a China iniciou um amplo programa de capacitação, utilizando gamificação e inteligência artificial para treinar quase um milhão de operadores. A formação começa ainda na educação básica e deve se intensificar a partir de 2026, indicando que o país não pretende abandonar a tecnologia, mas torná-la mais segura e controlada.

O endurecimento das regras também tem impacto internacional. A partir de 1º de janeiro de 2026, entra em vigor a normativa chinesa GB31, que estabelece exigências mais rígidas para fabricação, comercialização e pós-venda de veículos elétricos e autônomos. A medida busca garantir qualidade, aumentar a confiança do consumidor e atender às preocupações de países importadores.

No Brasil, esse movimento já começa a refletir. Uma parceria recente entre o Inmetro e uma montadora chinesa visa adaptar tecnologias às leis de trânsito brasileiras e criar normas específicas para o setor, alinhando inovação e segurança.

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