Ouça a coluna ‘CBN Agronegócio’, com José Carlos de Lima Júnior
A China intensificou seus investimentos no Brasil, atingindo quase US$ 6 bilhões até 17 de abril, representando quase metade do total investido no país em 2016. Essa movimentação faz parte de uma estratégia global chinesa, abrangendo a América, África, Austrália, Oceania e Europa.
Expansão Industrial Chinesa
Desde a década de 1970, a China expandiu suas indústrias para além de seu território. Inicialmente, focou em países próximos, como Índia, Vietnã e Malásia. Posteriormente, expandiu para outras regiões, incluindo o Brasil. O governo chinês busca garantir recursos estratégicos e mercados cativos para os produtos dessas indústrias.
Impacto no Brasil e Estratégias de Investimento
O Brasil se torna atrativo como fornecedor de insumos agrícolas e minerais, além de energia. Embora haja um olhar positivo sobre a geração de empregos e renda, é crucial analisar as estratégias do governo brasileiro para direcionar esses investimentos. A China possui quatro grandes bancos especializados em diferentes setores, facilitando o crédito para investimentos internos. Ao contrário, o Brasil enfrenta escassez de crédito, o que torna os investimentos mais caros. A China utiliza bancos de crédito direcionado em outros países, fomentando o desenvolvimento e exportando para a Ásia. A disponibilidade de crédito chinês representa uma vantagem comparativa significativa.
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Exemplos Regionais e Competitividade
No Brasil, a China tem atuado por meio de aquisições, como a de distribuidoras agrícolas Bela Agrícola e Fiagril, impactando a competitividade no setor. Regiões como Sertãozinho (SP) exportam equipamentos para a produção de biocombustíveis para a China. Embora existam exemplos de parcerias e investimentos, a concorrência com empresas chinesas no mercado de distribuição de insumos agrícolas se intensifica, principalmente no Centro-Oeste e Sul do Brasil.