Termos não têm sujeito e indicam fenômenos da natureza que só podem ser julgados na 3ª pessoa do singular
O verbo "chover" tem chamado a atenção no início de 2023, não pela sua frequência na linguagem cotidiana, mas pelas particularidades de sua conjugação. A discussão sobre sua utilização impessoal ou pessoal tem gerado dúvidas, por isso, vamos esclarecer esse ponto.
Verbo Impessoal: Fenômenos da Natureza
Em sua forma impessoal, o verbo "chover", assim como outros verbos que indicam fenômenos da natureza (ventar, trovejar, amanhecer, anoitecer, nevar, relampejar etc.), conjuga-se apenas na terceira pessoa do singular. Isso ocorre porque esses verbos não possuem sujeito. Exemplos: "Chove muito hoje", "Ventou forte na madrugada", "Anoiteceu cedo".
Sentido Figurado: Concordância Verbal
Entretanto, quando empregado em sentido figurado, o verbo "chover" deixa de ser impessoal e passa a concordar com o sujeito da frase em número e pessoa. Neste caso, a conjugação varia. Exemplos: "Choveram críticas ao projeto" (as críticas são o sujeito), "Amanheceram esperançosos" (os esperançosos são o sujeito). A utilização do verbo em sentido figurado requer atenção à concordância verbal.
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Medida da Chuva: Impessoalidade
Uma exceção importante diz respeito à medida da chuva. Ao expressar a quantidade de chuva em milímetros, o verbo "chover" permanece impessoal, mesmo que a quantidade seja expressa em número plural. Exemplo correto: "Choveu 50 milímetros", e não "Choveram 50 milímetros". A quantidade de milímetros representa a medida da chuva, e não o sujeito da ação.
Portanto, a correta utilização do verbo "chover" depende do contexto. Ao identificar se o verbo está sendo usado em seu sentido literal (fenômeno da natureza) ou figurado, a concordância verbal será definida, garantindo a precisão gramatical da frase.