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Chuvas abaixo da média mantêm reservatórios em níveis críticos e acendem alerta hídrico no Sudeste

Especialista da Unicamp aponta risco para abastecimento e energia, destaca perdas na distribuição e pede uso consciente da água.
Chuvas
Foto: Reprodução

A redução das chuvas neste verão tem mantido reservatórios do Sudeste em níveis preocupantes e acendido o alerta para a segurança hídrica. Um dos exemplos é o Lago de Furnas, no sul de Minas Gerais, que mesmo em período chuvoso não ultrapassou 32% do volume. Por determinação da Agência Nacional de Águas (ANA), a vazão máxima média mensal para geração de energia foi reduzida para 500 metros cúbicos por segundo.

Segundo Antônio Carlos Zuffo, associado da área de hidrologia e gestão de recursos hídricos da Unicamp, a situação preocupa porque dezembro e janeiro costumam ser os meses mais chuvosos do ano. Com precipitações abaixo da média em dezembro e atrásra em janeiro, a recuperação dos reservatórios até o fim do verão fica comprometida.

Reservatórios não se recuperam no período chuvoso

Conforme o especialista, normalmente os sistemas começam a apresentar recuperação um mês após o início das chuvas da primavera, o que não ocorreu neste ciclo.

A situação não se restringe a Minas Gerais. Apesar de o estado ter recebido mais chuva do que o interior paulista, cidades do estado de São Paulo também enfrentam dificuldades, com mananciais abaixo do ideal para esta época do ano.

Consumo cresce com o calor

Além da falta de chuva, o calor intenso aumenta significativamente o consumo. Em Ribeirão Preto, por exemplo, o uso de água por habitante chegou a ficar cerca de 30% acima da média. Com temperaturas elevadas, as pessoas usam mais água para se refrescar, o que pressiona ainda mais o sistema, destacou o professor.

Perdas na distribuição são o maior problema

Para Antônio Carlos Zuffo, o principal gargalo não está apenas na gestão, mas nas perdas físicas das redes de distribuição. A média no estado de São Paulo supera 40%, e em algumas cidades chega a ultrapassar 60%.

Você capta a água, trata, injeta na rede e mais da metade se perde em vazamentos. É um desperdício enorme de água e de energia, afirmou. Segundo ele, redes antigas, variações de pressão e emendas comprometidas explicam grande parte dessas perdas.

Ribeirão Preto e o Aquífero Guarani

Ribeirão Preto tem uma condição considerada privilegiada por captar água do Aquífero Guarani, que na região é mais superficial. Ainda assim, os níveis do aquífero vêm baixando, reflexo da redução das chuvas e do consumo elevado. Mesmo com alguma recuperação por infiltração, o especialista alerta para um ciclo vicioso de gasto de energia e tratamento.

Ciclos naturais e crises recorrentes

O professor explicou que o Sudeste atravessa um período mais seco, dentro de ciclos naturais de décadas. Desde cerca de 2010, a região estaria em uma fase de menor precipitação, que pode durar de 30 a 50 anos. Dentro desse período, crises hídricas tendem a se repetir a cada 11 anos.

A região enfrentou a crise energética de 2001, a crise hídrica de 2014 e 2015, e atrásra existe o risco de uma nova crise entre 2025 e 2027, segundo o Zuffo. A expectativa, segundo ele, é que ainda chova o suficiente para recuperar ao menos 15% a 20% do volume dos reservatórios, especialmente na Região Metropolitana de São Paulo.

Ação humana e preservação

Além dos ciclos naturais, ações humanas também agravam o cenário, como queimadas e incêndios, muitos deles criminosos, que afetam áreas de recarga e a qualidade ambiental. Para o especialista, o momento é de atenção redobrada e mudança de comportamento.

O alerta está ligado. Uso consciente da água, redução de perdas e preservação ambiental são fundamentais para o enfrentamento desse período com menos impactos.

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