Sertãozinho teve 25% das crianças com menos de 5 anos vacinadas, em Guaíra foram 46%; estado alcançou 84% do público-alvo
Dados recentes indicam uma queda preocupante na cobertura da vacinação contra a poliomielite em diversas cidades do estado de São Paulo. Em Sertãozinho, Cidades da região de Ribeirão Preto registram baixa na adesão à vacina da poliomielite, por exemplo, apenas 25% das crianças menores de cinco anos foram imunizadas contra a doença neste ano. Já em Iguaíra, a taxa alcançou 46%, ainda abaixo do ideal para garantir a proteção coletiva.
Segundo informações do Ministério da Saúde, o Brasil vem registrando uma redução na taxa de vacinação contra a poliomielite desde 2016. Em 2023, o estado de São Paulo atingiu 84% de cobertura vacinal do público-alvo, mas até 20 de junho deste ano, apenas 74% das crianças haviam recebido a imunização.
Desafios na vacinação em Sertãozinho: O diretor do Departamento de Vigilância em Saúde de Sertãozinho, Denis Rodrigo dos Santos, relatou que, apesar da extensão dos horários e da ampliação dos locais de aplicação da vacina durante a campanha, a procura foi muito inferior ao esperado. A meta era vacinar 95% de aproximadamente 5.800 crianças, mas foram imunizadas pouco mais de 1.500.
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“As crianças de zero a quatro anos são nosso público-alvo prioritário, e essa população não compareceu como esperávamos”, afirmou Denis. A baixa adesão preocupa as autoridades locais, que reforçam a importância da vacinação para evitar o retorno da poliomielite.
Situação em Ribeirão Preto e outras cidades
Em Ribeirão Preto, foram aplicadas 9.544 doses durante a campanha, mas a prefeitura não divulgou o percentual correspondente nem o número esperado de aplicações para o ano. A campanha de vacinação contra a poliomielite foi encerrada recentemente em todo o estado, mas crianças que ainda estejam dentro do calendário vacinal podem procurar os postos de saúde para receber a dose.
Riscos da poliomielite e importância da vacinação: A poliomielite é uma doença infecciosa aguda causada pelo poliovírus, que pode provocar paralisia muscular irreversível nos membros inferiores. Em casos graves, pode levar à morte em poucos dias. A vacina disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças menores de cinco anos é a principal forma de prevenção.
Embora a poliomielite tenha sido considerada erradicada no Brasil desde 1990, especialistas alertam que a baixa cobertura vacinal pode permitir o retorno da doença. O infectologista Fernando Vilar destaca que a situação atual coloca o país em risco de reintrodução do vírus e de novos casos de paralisia infantil.
“Temos que manter a vacinação para os grupos prioritários, que são crianças menores de cinco anos, acima de 90%, para que a poliomielite possa se manter erradicada no país”, afirmou o especialista.
O Brasil está em processo de transição para substituir as duas doses orais da vacina por um esquema que utiliza somente a vacina inativada a partir do segundo semestre de 2023.
Alerta internacional e continuidade da vacinação
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a falha em erradicar um único caso de poliomielite pode resultar em até 200 mil novos casos por ano. Atualmente, a poliomielite ainda é endêmica em países como Afeganistão e Paquistão, o que mantém a necessidade de vacinação contínua em todo o mundo.
Em Ribeirão Preto, 37 salas de vacina participaram da campanha, que foi encerrada no mês passado. No entanto, crianças que estiverem dentro do calendário vacinal podem continuar a receber a vacina nas unidades de saúde mediante apresentação da carteira de vacinação.
Entenda melhor
A poliomielite é uma doença grave que pode causar paralisia permanente e até morte. A vacinação é gratuita e faz parte do calendário nacional de imunização para crianças desde o nascimento até os cinco anos de idade. A baixa adesão à vacina pode comprometer a erradicação da doença e aumentar o risco de surtos.
Campanhas de vacinação ampliam o acesso ao imunizante, com horários estendidos e funcionamento aos finais de semana, facilitando a imunização das crianças. Apesar do fim da campanha oficial, a vacinação segue disponível nas unidades básicas de saúde.



