A educação pública de Ribeirão Preto atravessa um período de transição marcado por ajustes financeiros, debates pedagógicos e desafios históricos ainda sem solução. A avaliação é do cientista político Bruno Silva, que analisou os principais pontos de atenção da gestão municipal e do Governo Estadual para o setor.
O colunista destaca que o município tem priorizado parcerias para ampliar o tempo de permanência dos alunos na escola, especialmente por meio de atividades no contraturno, como esportes e ações culturais. A estratégia busca aumentar o índice de ensino integral sem a necessidade imediata de novas construções, em um cenário de contenção de gastos.
No âmbito estadual, Bruno destaca o avanço das parcerias público-privadas para construção e manutenção de escolas. Ribeirão Preto está entre as cidades beneficiadas por esse modelo, que prevê novas unidades e transfere a responsabilidade estrutural para a iniciativa privada, permitindo que diretores foquem mais nas questões pedagógicas.
Apesar disso, a política educacional municipal também enfrentou críticas em 2025. Uma das principais polêmicas envolveu mudanças na carga horária das aulas de artes, questionadas por professores e especialistas, que apontaram risco de empobrecimento do currículo e redução do estímulo à criatividade e ao pensamento crítico.
Outro ponto sensível é a falta de vagas em creches, considerada um dos maiores gargalos da educação em Ribeirão Preto. A Prefeitura ampliou a compra de vagas na rede privada como medida paliativa, mas o déficit ainda ultrapassa 15 mil vagas, segundo dados divulgados ao longo do ano.
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O orçamento da educação aprovado para 2026 reforça o peso do setor nas contas públicas. A área deve receber cerca de R$ 973 milhões. Mesmo com esse volume de recursos, persistem dificuldades para consolidar um modelo de educação integral que gere resultados pedagógicos consistentes.
Bruno Silva também chama atenção para fatores externos que afetam diretamente o ensino, como as ondas de calor e a falta de climatização adequada nas salas de aula, problema que tende a se intensificar com o retorno às aulas durante o verão. Além disso, debates ideológicos, como a tentativa de implementação de escolas cívico-militares, acabaram, na avaliação do cientista político, desviando o foco de questões centrais, como qualidade do ensino, ampliação de vagas e melhores condições de trabalho para os profissionais da educação.