Político foi superintendente da ACIRP de 2005 a 2011 e faz parte da Academia de Ciências, Artes e Letras de Ribeirão e região
O cientista político Bruno Silva analisou a entrevista concedida pelo pré-candidato à prefeitura de Ribeirão Preto pelo Partido Novo, A entrevista do pré-candidato Marco Aurélio à CBN Ribeirão, Marco Aurélio Martins, destacando aspectos relevantes sobre o cenário político local e nacional. Segundo Silva, a pré-campanha já apresenta sinais de polarização, mas há um esforço por parte de alguns candidatos em fugir dessa lógica para focar nas demandas concretas da população.
Fuga da polarização política: Bruno Silva ressaltou que a tentativa de romper com a polarização entre os campos ligados ao governo federal, como o PT e o bolsonarismo, é um desafio para os políticos que desejam se apresentar como uma alternativa. Essa polarização, segundo ele, afasta o debate dos problemas reais enfrentados pela população, como saúde, segurança pública e educação, que são áreas críticas para a cidade e para o país.
O cientista político destacou que a população tende a valorizar mais as políticas públicas efetivas do que as disputas ideológicas, especialmente em eleições municipais, onde o impacto direto das ações governamentais é mais perceptível no cotidiano dos cidadãos.
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Temas prioritários para Ribeirão Preto
Entre os principais temas que devem dominar o debate eleitoral em Ribeirão Preto, Silva apontou a saúde pública, que enfrenta uma pressão crescente, a segurança pública, cuja gestão municipal tem limitações, e a educação, que enfrenta desafios tanto no desempenho quanto na gestão e no conteúdo curricular. Esses temas, segundo ele, são essenciais para que os candidatos apresentem propostas concretas e eficazes.
Perfil do pré-candidato e discurso do Partido Novo: Marco Aurélio Martins afirmou que nunca foi político antes de se colocar como pré-candidato, reforçando um discurso que busca se diferenciar dos tradicionais políticos. Bruno Silva contextualizou essa postura, lembrando que esse tipo de discurso já foi adotado por figuras como João Doria, que tentou trazer a experiência da iniciativa privada para a gestão pública. No entanto, Silva observou que, apesar desse discurso, a política exige habilidades específicas de negociação e articulação que vão além da gestão empresarial.
O pré-candidato também mencionou a intenção de apresentar um “cardápio” de opções ao eleitor, tratando o cidadão como um cliente do Estado, o que reflete uma visão de gestão pública orientada para a satisfação das demandas da população.
Desafios do Partido Novo nas eleições municipais: O Partido Novo, que não possui tradição em eleger prefeitos em Ribeirão Preto, enfrenta dificuldades para ampliar sua base eleitoral. Bruno Silva citou o exemplo do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que embora tenha sido eleito como uma novidade política, acabou se alinhando com a agenda bolsonarista, demonstrando a dificuldade do partido em manter uma postura independente da polarização.
Além disso, o partido mudou recentemente sua orientação sobre o uso do fundo partidário de financiamento de campanhas. Tradicionalmente, o Novo se recusava a utilizar esses recursos, argumentando que deveriam ser destinados a outras finalidades. Contudo, para ampliar sua competitividade eleitoral, o partido passou a permitir o uso do fundo, o que indica uma adaptação estratégica diante do cenário político brasileiro.
Silva também mencionou o caso do prefeito de Joinville, que, apesar de ter alta aprovação, enfrentou quatro tentativas de cassação do mandato, evidenciando as dificuldades de diálogo e articulação política que gestores enfrentam, especialmente aqueles que se apresentam como fora do sistema tradicional.
Entenda melhor
O cenário político municipal em 2024 mostra uma tentativa de alguns candidatos de se distanciarem da polarização nacional para focar em soluções locais, especialmente em áreas como saúde, segurança e educação. O Partido Novo, apesar de sua pouca tradição em eleições municipais, busca se reposicionar, inclusive adaptando suas estratégias de financiamento para ampliar sua presença. A experiência de outros estados, como Minas Gerais, demonstra os desafios de manter uma identidade política independente em um ambiente polarizado.