João Passador afirma que não houve um plano nacional e há desarticulação entre os governos federal, estadual e municipal
O Brasil cometeu uma série de erros no combate à pandemia, segundo João Passador, coordenador do Centro de Estudos em Gestão e Políticas Públicas Contemporâneas da USP Ribeirão. A falta de preparação, a ausência de um plano nacional e a baixa taxa de testagem são alguns dos pontos cruciais.
Erros na Gestão Pública
Passador destaca a ausência de um plano nacional de combate à pandemia como um dos principais erros. A falta de coordenação entre os diferentes níveis de governo (federal, estadual e municipal) prejudicou a eficácia das medidas de contenção. Ele compara a resposta brasileira com a de outros países, como Alemanha e Nova Zelândia, onde houve um esforço nacional mais unificado e eficaz.
Consequências da Falta de Investimento e Planejamento
A baixa taxa de testagem dificultou o rastreamento de contágios, impactando diretamente a eficácia do isolamento social. A falta de investimento em leitos de UTI e em recursos humanos para os hospitais também agravou a situação, especialmente para as populações mais vulneráveis. A crença em soluções mágicas, como a cloroquina, desviou recursos e tempo de estratégias comprovadamente eficazes.
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Impactos e Perspectivas
A pandemia afetou desproporcionalmente as populações mais pobres e desprotegidas, como indígenas e quilombolas. A gestão ineficaz prolongou a crise sanitária e econômica, atrasando o retorno à normalidade em comparação com outros países que conseguiram controlar a pandemia com mais sucesso. A experiência brasileira serve como um alerta para futuras pandemias, reforçando a necessidade de investimento em saúde pública, planejamento estratégico e coordenação governamental.



