Principais expectativas de melhora são em relação a recessão econômica e a desconfiança do capital externo
A superação da recessão econômica e a restauração da confiança do capital externo dependem de mais do que simples mudanças de nomes na presidência ou de siglas partidárias no poder. O governo interino de Michel Temer (PMDB) enfrenta um período crucial de seis meses para implementar decisões políticas eficazes.
Desafios e Receios Diante das Decisões Políticas
O cientista político Fábio Pacano expressa preocupação com os possíveis impactos dos cortes no orçamento sobre a classe trabalhadora. Ele teme que uma agenda conservadora possa gradualmente afetar direitos trabalhistas, começando pelos direitos recém-conquistados das empregadas domésticas. A discussão sobre o fim da multa de 40% do FGTS em casos de demissão sem justa causa pode ser retomada no Congresso, assim como a discussão sobre o fim do décimo terceiro salário. Pacano alerta para o risco de setores conservadores imporem essa pauta de supressão de direitos, prevendo tempos difíceis e a necessidade de organização dos trabalhadores para protegerem seus direitos.
A Reação da Economia e as Preocupações Subjacentes
Embora se espere uma reação imediata da economia brasileira, a grande preocupação reside na forma como essa recuperação será conduzida. Pacano observa que o modelo econômico do PT já não apresentava bons resultados. No meio empresarial, é comum o discurso de que o elevado custo da mão de obra é o principal fator de perda de competitividade. No entanto, outros fatores, como a alta carga tributária, a ineficiência e burocracia do Estado, a infraestrutura inadequada e a falta de investimento em ciência e tecnologia, também desempenham um papel significativo.
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O Discurso Ideológico e a Justificativa para Cortes de Direitos
O discurso ideológico dominante tende a apresentar o elevado custo da mão de obra como o principal problema, justificando, assim, os cortes de direitos. Pacano adverte que, embora possa haver crescimento econômico, este virá acompanhado de concentração de renda. O governo interino de Michel Temer (PMDB) assume a presidência até novembro, com a expectativa de que suas ações moldem o futuro econômico e social do país.
O cenário exige atenção e vigilância para garantir que o progresso econômico não seja alcançado à custa dos direitos e do bem-estar da classe trabalhadora.



