Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Reger Sena
Um agente da Fundação Casa em Ribeirão Preto foi brutalmente agredido por cinco internos no último sábado, levantando questões sobre a segurança e as condições de trabalho na unidade. Eliezer Moreira de Almeida, a vítima, sofreu fraturas no nariz e outros ferimentos graves. Em entrevista à CBN Ribeirão, ele relatou os momentos de terror e a sensação de insegurança que o assola.
O Relato da Agressão
Eliezer detalhou como a agressão se desenrolou. Ele estava sozinho com 22 adolescentes, quando o procedimento de escovação de dentes se iniciou. Ao liberar dois internos, um deles o atacou pelas costas, iniciando uma sequência de violência que envolveu outros quatro adolescentes. Eliezer tentou se defender, mas foi brutalmente agredido com chutes e golpes, perdendo grande quantidade de sangue. Ele relata que um dos agressores o ameaçou de morte, aumentando sua sensação de medo e vulnerabilidade.
Superlotação e Falta de Segurança
A superlotação e a falta de funcionários são apontadas como os principais fatores que contribuíram para a agressão. Eliezer estava sozinho em um módulo com capacidade para 11 internos, mas que abrigava 22. A falta de agentes e vigilantes agrava a situação, tornando o ambiente propício para a violência. A insegurança é generalizada entre os funcionários, que já realizaram reuniões e greves em busca de melhores condições de trabalho, sem sucesso.
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Ações Legais e Posicionamento do Estado
O promotor da Vara da Infância e da Juventude de Ribeirão Preto, Luiz Henrique Pacaenella, informou que uma sindicância administrativa foi aberta pela Fundação Casa e o caso será analisado pelo Poder Judiciário. Os adolescentes envolvidos na agressão podem sofrer sanções, como o aumento do tempo de internação. O promotor também ressaltou que a superlotação e a falta de pessoal são problemas recorrentes na unidade, e que o Estado não tem investido o suficiente para garantir a segurança e o cumprimento das normas de atenção às medidas socioeducativas.
A agressão sofrida por Eliezer expõe a fragilidade do sistema socioeducativo e a necessidade urgente de investimentos e medidas para garantir a segurança dos agentes e a ressocialização dos internos.



