Ouça a coluna ‘CBN Comportamento’, com Daniele Zeoti
Na última semana, a CBN abordou o tema dos relacionamentos, Ciúme exagerado é o tema desta semana, com foco no ciúme patológico, um tipo de ciúme considerado doentil e que pode causar sérios problemas na vida dos casais. Para explicar o assunto, a psicóloga e colunista da rádio, Dani Elzeotti, participou do programa e detalhou as características, impactos e tratamentos relacionados a essa condição.
Definição e características do ciúme patológico
Dani Elzeotti explicou que o ciúme patológico é um ciúme anormal que ultrapassa os limites da normalidade e está classificado na Classificação Internacional de Doenças como uma doença mental. A pessoa que sofre desse tipo de ciúme é dominada por pensamentos obsessivos e intrusivos, acreditando que o parceiro está traindo, mesmo sem evidências reais.
“O indivíduo apresenta uma constante necessidade de checar cartões de crédito, e-mails, redes sociais e outros aspectos da vida do parceiro”, destacou a psicóloga.
Esse comportamento obsessivo e controlador caracteriza o ciúme patológico, que difere do ciúme considerado comum ou saudável, pois ultrapassa a desconfiança e se torna uma condição que afeta o equilíbrio emocional do indivíduo.
Impactos na vida dos envolvidos: O ciúme patológico gera um sentimento de posse excessivo, fazendo com que o parceiro seja tratado como um objeto de valor que pode ser perdido a qualquer momento. Essa obsessão pode transformar a vida do ciumento em um verdadeiro sofrimento contínuo.
“Além do sofrimento do próprio ciumento, o parceiro também é afetado negativamente, pois se sente limitado em suas atividades e pode ter dificuldade em estabelecer limites para o comportamento do outro”, explicou Dani Elzeotti.
O ambiente do relacionamento torna-se tenso e desgastante, com o ciúme patológico comprometendo a confiança e a liberdade entre os parceiros, o que pode levar ao afastamento e até ao término da relação.
Alimentação do ciúme pelo parceiro
Segundo a psicóloga, em alguns casos, o próprio parceiro pode alimentar o ciúme patológico, acreditando que a demonstração de ciúme é sinônimo de amor. Exemplos desse comportamento incluem deixar objetos pessoais à mostra, apagar mensagens ou criar situações que possam gerar suspeitas.
“Esse tipo de atitude é prejudicial, pois reforça as obsessões do ciumento e contribui para a manutenção do ciclo de ciúme patológico”, alertou Dani Elzeotti.
Essa dinâmica pode agravar ainda mais a situação, dificultando o reconhecimento do problema e a busca por ajuda adequada.
Tratamento e outros aspectos: Dani Elzeotti ressaltou que o ciúme patológico é uma doença mental que requer tratamento especializado, incluindo medicação e psicoterapia. O acompanhamento profissional é fundamental para que o indivíduo possa lidar com os pensamentos obsessivos e desenvolver estratégias para controlar o comportamento compulsivo.
“É importante destacar que a ausência total de ciúme também pode ser preocupante, pois pode indicar excesso de autoconfiança ou uma postura de imunidade à possibilidade de traição”, comentou a psicóloga.
Esse aspecto evidencia que o equilíbrio emocional é essencial para a saúde dos relacionamentos, e que tanto o ciúme exagerado quanto a ausência completa do sentimento podem indicar desequilíbrios.
Entenda melhor
O ciúme patológico é caracterizado por obsessões e comportamentos compulsivos que prejudicam a vida do indivíduo e do parceiro. Reconhecer o problema e buscar tratamento especializado são passos fundamentais para a recuperação e para a melhoria da qualidade dos relacionamentos afetados. O acompanhamento psicológico e, quando indicado, o uso de medicação, auxiliam no controle dos sintomas e na reconstrução da confiança entre os parceiros.