Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com César Caparelli
As altas temperaturas e a escassez de chuvas nos primeiros meses do ano acenderam o sinal de alerta entre cafeicultores da região de Franca, no interior de São Paulo. Produtores locais já começam a calcular prejuízos diante de um cenário climático adverso que ameaça a produtividade das lavouras.
Prejuízos e relatos de produtores
Em dezembro, a Secretaria da Agricultura e Abastecimento de São Paulo estimava uma colheita estadual em torno de 4,5 milhões de sacas de 60 quilos. Desde então, a combinação de estiagem e calor elevou a projeção de perdas para algo entre 10% e 20%.
Na propriedade de José Ricardo Cunha, em Ribeirão Corrente, a estiagem fez a previsão de colheita cair de 12 mil para 8.500 sacas nos 200 hectares cultivados. Cunha diz não ter vivenciado, em décadas de tradição familiar, um episódio climático dessa magnitude, e já contabiliza os primeiros impactos econômicos no calendário da fazenda.
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Redução das chuvas e efeitos no campo
Segundo Rui García, gerente da Sabesp, o volume de chuva na região apresentou redução significativa. A média mensal dos últimos 14 anos é de 362 milímetros, mas no primeiro bimestre do ano o índice não ultrapassou 195 milímetros. A falta de chuva prejudica a preparação do solo, o plantio e o desenvolvimento das plantas, além de reduzir a produtividade dos cafezais.
Impacto no mercado e perspectivas
O temor de menor oferta já se reflete no mercado: a cotação média do café gira em torno de R$ 430 por saca, alta de quase 53% em relação a março do ano anterior, quando os preços estavam baixos após duas quedas consecutivas. Maurício Miarelli, do Conselho Nacional do Café, afirma que, embora ainda não existam dados oficiais sobre a extensão das perdas, produtores apontam para uma possível quebra na safra 2015-2016 e alertam para a incerteza sobre a capacidade do Brasil de manter sua fatia na oferta global caso a produção registre redução significativa por dois anos seguidos.
Até o momento, não foram divulgados números oficiais sobre o volume exato das perdas nem projeções detalhadas para as próximas safras; produtores e autoridades aguardam levantamentos mais precisos para definir estratégias de mitigação e acompanhar a evolução do cenário climático.



