Expectativa é que 50 milhões de sacas sejam colhidas durante a safra; especialista em café e agrônomo, Marcelo Jordão, analisa
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou sua projeção para a safra de café de 2023: um crescimento de 5,6% em relação ao ano passado, resultando em uma colheita de 50 milhões de sacas em uma área de 2,2 milhões de hectares.
Desafios Climáticos e a Safra de Café
Apesar do crescimento projetado, a safra enfrentou diversos desafios. Segundo Marcelo Jordão, engenheiro agrônomo e especialista em café, a produção poderia ter sido muito maior não fossem as condições climáticas adversas, principalmente a seca na região de Alta Mogiana e Franca (SP). A seca, que afetou principalmente o período de floração, resultou em uma redução significativa da produção em comparação com as expectativas iniciais de uma safra recorde.
Impactos Econômicos e Preços
Os problemas climáticos, somados a eventos como geadas em 2021, impactaram fortemente a rentabilidade dos produtores. Muitos tiveram que realizar podas, o que afetará a produção até 2024. Para minimizar os prejuízos, alguns produtores investiram em irrigação, enquanto outros se valeram de preços mais altos do café (próximos a R$ 1.300,00) e estratégias de negociação, como adiar entregas para se beneficiar de preços melhores. No entanto, o aumento do preço do café não foi totalmente repassado ao consumidor final, levando ao aumento da utilização de café de menor qualidade em blends.
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Perspectivas Futuras
Para o futuro, a expectativa não é de uma super safra como a inicialmente prevista. A baixa oferta global e os estoques reduzidos devem manter os preços aquecidos, pelo menos a curto e médio prazo. A combinação de uma safra atual prejudicada e a perspectiva de uma safra menor em 2024 indica uma redução na oferta de café, contribuindo para a manutenção dos preços elevados.



