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Coluna desta semana comenta taxa de desemprego

Ouça a coluna 'CBN Economia', com Nélson Rocha Augusto
Taxa de desemprego
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Ouça a coluna ‘CBN Economia’, com Nélson Rocha Augusto

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a taxa de desemprego referente ao mês de junho, que apresentou uma alta para 6%. Apesar do aumento, o economista Nelson Rocha, em participação no programa Manhã CBN, explicou que esse crescimento não representa necessariamente uma notícia negativa.

Segundo ele, a elevação da taxa de desemprego está relacionada principalmente a dois fatores: um efeito sazonal e o crescimento da população economicamente ativa (PEA). Com mais pessoas entrando no mercado de trabalho e procurando emprego, a taxa calculada de desemprego tende a aumentar. No entanto, a quantidade de pessoas trabalhando permanece em um nível elevado e o salário médio continua crescendo. Nos últimos 12 meses, o salário médio teve um aumento de 8,7%.

Nelson destacou que, ao analisar os dados descontados os efeitos sazonais e considerando o aumento da PEA, percebe-se que a massa salarial — o rendimento total dos trabalhadores — permanece forte no Brasil. Isso indica uma continuidade no bom nível de consumo, o que traz perspectivas positivas para a economia brasileira nos próximos meses. Ele ressaltou que essa situação é saudável para o combate à inflação, já que houve uma desaceleração, mas a massa salarial continua crescendo de forma significativa.

Taxa de desemprego e mercado de trabalho

O aumento da taxa de desemprego para 6% não deve ser interpretado isoladamente como um sinal de deterioração econômica. O crescimento da população economicamente ativa, que representa mais pessoas buscando emprego, é um fator importante para entender essa variação. Além disso, o crescimento do salário médio e a manutenção de um alto número de pessoas empregadas indicam que o mercado de trabalho brasileiro mantém uma boa dinâmica.

Déficit em transações correntes e consumo de dólares: Nelson Rocha também comentou sobre o déficit em transações correntes do Brasil no primeiro semestre de 2023, que atingiu cerca de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse déficit representa o total de dólares consumidos pelo país para pagamento de serviços, dívidas, turismo e na balança comercial (exportações menos importações).

Em valores anualizados, esse déficit pode chegar a aproximadamente 70 a 73 bilhões de dólares. Embora seja um número robusto e que possa gerar preocupações, o economista ressaltou que mais de 85% desse déficit tem sido financiado por investimentos estrangeiros diretos. Esses investimentos são realizados por empresas e famílias estrangeiras que aplicam recursos no Brasil, comprando empresas e títulos de renda fixa do governo, o que traz dólares para o país.

Esse financiamento por meio de investimentos estrangeiros diretos é considerado saudável e contribui para o equilíbrio econômico ao longo do tempo. No entanto, Nelson alertou que o déficit em transações correntes acima de 3% do PIB pode ser pouco sustentável no longo prazo, e que o Brasil deveria buscar reduzir esse percentual para evitar desequilíbrios econômicos futuros.

O economista também relacionou o aumento da demanda por dólares, devido ao déficit em transações correntes, com a recente desvalorização do real frente ao dólar, que tem sido cotado em torno de R$ 5,25. Essa maior demanda por dólares para cobrir as necessidades externas do país pressiona a moeda norte-americana para cima.

Cenário internacional e impacto para o Brasil

Sobre o cenário internacional, Nelson Rocha comentou as recentes medidas adotadas pela China, segunda maior economia mundial, que incluem redução de impostos e aumento dos investimentos em infraestrutura, especialmente em ferrovias. Essas ações fazem parte de um pacote de estímulo à economia chinesa, que vinha apresentando sinais de desaceleração.

A China é um importante parceiro comercial do Brasil, sendo o principal importador dos produtos brasileiros, especialmente commodities agrícolas e minerais. A expectativa é que o crescimento do PIB chinês atinja cerca de 7% a 7,5% em 2023, o que é positivo para as exportações brasileiras e pode contribuir para a redução do déficit na balança comercial.

Além da China, outros países como Japão e Estados Unidos também apresentam sinais de recuperação econômica, o que favorece o comércio internacional e pode beneficiar a economia brasileira nos próximos meses. Nelson avaliou que o cenário externo não é totalmente benigno, mas também não é adverso, trazendo perspectivas de recuperação para a atividade econômica nacional.

Perspectivas para a economia brasileira: Com a combinação de um mercado de trabalho ainda forte, crescimento salarial, estímulos internacionais e investimentos estrangeiros que financiam o déficit em transações correntes, a economia brasileira apresenta sinais de estabilidade e potencial crescimento para o restante de 2023. No entanto, o economista alertou para a necessidade de monitorar o déficit externo e buscar políticas que promovam o equilíbrio econômico sustentável.

Informações adicionais

O economista Nelson Rocha participa semanalmente do programa Manhã CBN, trazendo análises econômicas e financeiras atualizadas. As informações apresentadas refletem dados oficiais do IBGE e análises de indicadores econômicos nacionais e internacionais, sem divulgação de dados específicos além dos mencionados.

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