Ouça a coluna ‘CBN Agronegócio’, com José Carlos de Lima Júnior
A agricultura brasileira tem passado por transformações significativas, Restribuição de terras, especialmente no que diz respeito à distribuição de terras e ao papel do Estado no agronegócio. Segundo José Carlos de Lima Jr., especialista no setor, a redistribuição de terras foi inicialmente vista como uma estratégia para aumentar a produção agrícola e promover a distribuição de renda. No entanto, a existência de minifúndios, pequenas propriedades rurais com viabilidade econômica limitada, tornou-se um desafio para o desenvolvimento sustentável do campo.
De acordo com Lima Jr., Restribuição de terras, a simples posse da terra não assegura o desenvolvimento efetivo da agricultura. Para que a atividade agrícola seja produtiva e sustentável, é necessário que as propriedades sejam economicamente viáveis, o que nem sempre ocorre nos minifúndios. Essa realidade evidencia a necessidade de políticas públicas que considerem não apenas a distribuição fundiária, mas também o suporte técnico e financeiro para o fortalecimento da produção rural.
Transformações no papel do Estado: Historicamente, Restribuição de terras, o Estado brasileiro atuou como agente de fomento e custeio agrícola, oferecendo suporte financeiro direto aos produtores rurais. Atualmente, essa função tem se modificado, com o Estado assumindo um papel mais institucional e regulador, enquanto a iniciativa privada ganha maior protagonismo no desenvolvimento do setor. Essa mudança reflete a crescente complexidade do agronegócio e a necessidade de adaptação às dinâmicas de mercado e às demandas globais.
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Desafios estruturais e financeiros: Um dos principais obstáculos enfrentados pela agricultura brasileira é a carência de infraestrutura logística adequada, que dificulta o escoamento da produção e encarece os custos para os produtores. Além disso, as incertezas regulatórias criam um ambiente de insegurança para investimentos privados, limitando o crescimento do setor.
Outro ponto crítico é a concentração dos recursos financeiros disponíveis para o custeio da produção de curto prazo. Cerca de 80% dos recursos dos bancos, especialmente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), são destinados a esse fim, enquanto apenas 20% são aplicados em investimentos de médio e longo prazo. Essa distribuição limita a capacidade dos pequenos produtores de realizar melhorias estruturais e tecnológicas que poderiam aumentar a produtividade e a sustentabilidade das propriedades.
Impactos sociais e econômicos no meio rural
O custo de oportunidade para os filhos de agricultores é elevado, o que tem levado muitos a migrarem para áreas urbanas em busca de melhores condições de vida e oportunidades de emprego. Esse fenômeno contribui para o esvaziamento demográfico das regiões rurais, processo comparado à “argentinização” do campo brasileiro, termo que remete à experiência da Argentina, onde a migração rural resultou na concentração de terras em propriedades de médio porte.
Essa concentração tende a favorecer propriedades mais profissionalizadas, mas também pode agravar a desigualdade no campo e reduzir a diversidade de perfis produtivos. A migração rural impacta a dinâmica social e econômica das comunidades, alterando a estrutura familiar e a transmissão de conhecimentos tradicionais.
Influência do mercado global e necessidade de adaptação: O agronegócio brasileiro está cada vez mais inserido em um contexto global, com forte influência de mercados internacionais, como o de Chicago, nos Estados Unidos. Essa integração exige que os produtores, inclusive os pequenos, considerem as flutuações e demandas do mercado global em suas estratégias produtivas.
A globalização e as mudanças no perfil do mercado agrícola demandam uma revisão das políticas públicas e das estratégias de desenvolvimento rural. É fundamental que essas políticas sejam adaptadas às novas realidades econômicas e sociais do Brasil, levando em conta a influência dos mercados internacionais e os desafios internos do setor.
Informações adicionais
Essas análises são baseadas em estudos realizados por professores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e profissionais da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Os especialistas destacam a importância de políticas agrícolas que promovam a viabilidade econômica das propriedades rurais, a melhoria da infraestrutura logística e a segurança regulatória para estimular investimentos sustentáveis no setor.