Ouça a coluna ‘CBN Agronegócio’, com José Carlos de Lima Júnior
O ano de 2013 foi marcado por avanços e desafios no agronegócio brasileiro. Um Produto Interno Bruto (PIB) robusto, aliado à crescente profissionalização dos produtores, contrastou com gargalos de infraestrutura que elevaram os custos e limitaram o potencial do setor. Vamos explorar os principais pontos dessa retrospectiva.
Crescimento do PIB e Profissionalização no Campo
O PIB do agronegócio brasileiro encerrou 2013 com um crescimento estimado em 3,5%, representando quase 1 trilhão de reais e uma participação de 23% no PIB total do país, estimado em 4,49 trilhões de reais. Esse desempenho expressivo reflete a crescente profissionalização dos produtores rurais. Uma pesquisa do departamento de agronegócio da FIESP, em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), revelou que 43% dos produtores agropecuários possuem curso superior, número que salta para quase 80% entre os herdeiros das propriedades. Essa qualificação impulsiona a busca por novas tecnologias e consultorias especializadas, otimizando a produção e a gestão das propriedades.
Infraestrutura: O Gargalo do Agronegócio
Apesar dos avanços na produção, a infraestrutura precária se mostrou um grande obstáculo. Os custos logísticos elevados impactaram negativamente o setor, com perdas significativas durante o transporte da produção. Estimativas apontam que o custo da infraestrutura e da logística representam um prejuízo de cerca de 9% para o agronegócio. No caso da soja, por exemplo, perdas de 6% a 13% são registradas durante o transporte da área produtiva até os portos. O aumento do frete, que chegou a 42% a 43% em algumas regiões, como no trajeto entre Sorriso (MT) e o Porto de Santos, evidenciou a urgência de investimentos em infraestrutura.
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Privatizações e Concessões: Avanços e Retrocessos
Em 2013, o governo federal avançou com a concessão de aeroportos e rodovias à iniciativa privada, buscando modernizar a infraestrutura do país. No entanto, a não concessão de portos e ferrovias representou um retrocesso, mantendo um gargalo crucial para o escoamento da produção agrícola. A falta de infraestrutura adequada nos portos, por exemplo, limita a capacidade de armazenagem e eleva os custos de atracagem, impactando a competitividade das exportações brasileiras. A modernização dos portos e a expansão da malha ferroviária são essenciais para garantir o crescimento sustentável do agronegócio brasileiro.
Em resumo, o ano de 2013 consolidou o agronegócio como um dos pilares da economia brasileira, mas também expôs a necessidade urgente de investimentos em infraestrutura para superar os desafios logísticos e garantir a competitividade do setor no mercado global.