Flagrantes de desrespeito à quarentena e até a mudança climática atrapalham no controle da doença, aponta Vitor Engracia
Previsões sombrias para Ribeirão Preto: estudo aponta piora nos casos de Covid-19
Projeções e Tendências
De acordo com um pesquisador do Instituto Adolfo Lutz, a tendência para os casos de Covid-19 em Ribeirão Preto é de piora. A projeção é baseada na análise dos casos e óbitos diários dos últimos 15 a 30 dias. Embora seja possível fazer estimativas para meses futuros, a precisão é comprometida pela influência de diversas variáveis. Previsões para períodos mais curtos, como duas a três semanas, tendem a ser mais confiáveis. Considerando os dados atuais, a melhor hipótese é a estabilização ou aumento dos casos até o fim de março e começo de junho. Uma queda nos números é considerada menos provável, devido a fatores como aglomerações e a estação outono/inverno, que favorece infecções respiratórias.
Vacinação e suas implicações
Dados da Secretaria de Estado de São Paulo indicam uma queda considerável de infecções entre os grupos prioritários da vacinação (idosos e profissionais da saúde). É importante ressaltar que nenhuma vacina garante proteção total. As vacinas disponíveis, como Coronavac e AstraZeneca, protegem o organismo, diminuindo a gravidade dos sintomas e reduzindo o número de internações. A respeito da não obrigatoriedade do uso de máscaras em países com alta taxa de vacinação, como EUA e Austrália, o pesquisador explica que estudos mostram que a vacinação com Pfizer e AstraZeneca protege a cavidade nasal, diminuindo a transmissão. No entanto, ainda não há estudos conclusivos sobre a Coronavac nesse aspecto. Por isso, recomenda-se o uso de máscaras em ambientes fechados, principalmente no Brasil, onde a vacinação ainda está em andamento e o uso de máscaras é negligenciado por muitos, muitas vezes por questões políticas.
Leia também
Negacionismo e o surgimento de variantes
O pesquisador lamenta a resistência de parte da população em relação à gravidade da doença e ao uso de medicamentos sem eficácia comprovada. Ele diferencia o negacionismo inofensivo (como acreditar que a Terra é plana) do negacionismo que afeta a saúde pública, como a recusa da vacinação e o não uso de máscaras. Quanto ao surgimento de variantes, ele explica que a transmissão viral é o principal fator. As vacinas, ao frearem a transmissão, reduzem a probabilidade do surgimento de novas variantes. A previsão é que a Covid-19 se torne uma doença endêmica em alguns anos, semelhante à gripe, exigindo vacinação periódica.
Em suma, a situação da Covid-19 em Ribeirão Preto e no Brasil permanece complexa, exigindo vigilância contínua, vacinação em massa e adesão às medidas preventivas. A conscientização da população e o combate à desinformação são cruciais para o controle da pandemia.


