Em entrevista à CBN, a enfermeira Rosângela Souza fala sobre o feito inédito e diz que ato tem o poder de “dar uma nova vida”
São Carlos — A Santa Casa de São Carlos realizou, pela primeira vez na unidade, a captação de órgãos em dois pacientes no mesmo dia. A ação conjunta entre equipes de quatro hospitais beneficiará sete pessoas, informou a instituição.
Operação conjunta e órgãos captados
A mobilização envolveu equipes do Incor, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, do HC de Ribeirão Preto e da própria Santa Casa. Foram captados pulmões, fígado, rins e córneas, destinados a diferentes centros de transplante e a pacientes na lista de espera.
De acordo com a descrição das equipes, o Incor participou da captação de pulmões para transplante; o HC da USP atuou na retirada de fígado; o HC de Ribeirão Preto realizou a captação dos rins; e a Comissão Interna de Doação de Órgãos e Tecidos da Santa Casa ficou responsável pelas córneas.
Horas de trabalho e sensibilidade das famílias
Segundo a enfermeira Rosangela Souza, da comissão de doação da Santa Casa, as operações exigiram longas horas de trabalho — mais de 12 horas em plantão contínuo — com atuação integrada de UTI, equipes cirúrgicas e suporte logístico. "Foram horas intensas, madrugada e dia todo. Mas também um gesto de solidariedade: duas famílias, em momento de dor, autorizaram a doação e deram esperança a outros pacientes", afirmou.
Critérios de seleção e importância do diálogo familiar
Sobre a distribuição dos órgãos, Rosangela explicou que a alocação segue critérios de lista de espera, gravidade clínica, compatibilidade e logística, lembrando que cada órgão tem um tempo de perfusão que limita a distância e o tempo de transporte. "O sistema é confiável: há um banco de dados que prioriza a gravidade, a compatibilidade e a distância", disse.
A enfermeira reforçou ainda a importância de o potencial doador manifestar sua vontade em vida e comunicar a família, já que hoje a autorização familiar é determinante para que a doação seja efetuada.
A ação em São Carlos destaca a coordenação entre centros e o impacto humano das doações, que podem transformar a vida de várias pessoas na fila por um transplante.



