Mesmo com as formação teórica dos motoristas nas autoescolas, muitas das regras não são respeitadas no dia a dia
O dia 25 de julho é celebrado como o Dia do Motorista no Brasil, Com os números de acidentes de trânsito aumentando, quais medidas podem mudar essa estatística?, em homenagem a São Cristóvão, santo padroeiro dos motoristas e viajantes. A data, de origem religiosa, serve também para refletir sobre a segurança no trânsito, um tema que ainda apresenta desafios significativos. Em Ribeirão Preto, nos últimos 12 meses, 91 pessoas morreram em acidentes de trânsito, segundo dados do Infocig. Apenas no primeiro semestre deste ano, foram registradas 50 mortes, das quais 28 eram motoristas.
Estatísticas preocupantes em Ribeirão Preto
Os números recentes revelam uma realidade alarmante para os motoristas da região. A maioria das vítimas fatais são condutores, o que indica a necessidade urgente de medidas eficazes para reduzir acidentes e salvar vidas. A persistência desses índices reforça a importância de discutir e implementar políticas públicas e educativas que promovam a segurança viária.
Educação formal versus comportamento no trânsito: Para entender os fatores que contribuem para esses índices, o advogado especialista em trânsito Rodrigo Pasqualoto destaca que a formação exigida para obtenção da carteira de motorista é rigorosa, incluindo cursos teóricos, aulas práticas e exames médicos. Segundo ele, as autoescolas cumprem seu papel ao fornecer informações claras e detalhadas aos futuros condutores, que também têm acesso a vasto conteúdo educativo pela internet.
“A forma com que é dado o conhecimento a todos esses condutores, através de cursos teóricos, aulas práticas, está correta. Eles têm essa informação de forma nítida e clara dentro das autoescolas e também através do conhecimento vasto que existe na internet.”
No entanto, Pasqualoto aponta que o problema está na aplicação prática desse conhecimento. Ele ressalta que, apesar da educação formal, muitos motoristas não seguem as regras de trânsito, influenciados pela educação informal recebida em casa e pelo comportamento predominante no ambiente em que vivem.
“O trânsito vai fazendo com que ele não aplique essa informação que foi dada corretamente. Porque o meio e essa educação informal do pai e da mãe faz com que todo mundo desobedeça, e o indivíduo pensa: ‘por que eu vou obedecer se ninguém mais obedece?'”
Falta de conscientização sobre penalidades: Outro ponto destacado pelo especialista é a falta de conhecimento sobre as consequências das infrações. Muitos motoristas desconhecem o valor e a gravidade das multas, o que reduz o impacto das penalidades como fator de dissuasão.
“Se você perguntar para quem passa no semáforo vermelho, a maioria não sabe o valor da multa nem que ela é considerada gravíssima. A multa vira apenas mais um boleto para pagar, como água, luz ou telefone, e isso não gera a consciência necessária para respeitar as leis de trânsito.”
Essa desinformação contribui para a perpetuação de comportamentos de risco, que resultam em acidentes e mortes.
Necessidade de mudança na educação e fiscalização
Rodrigo Pasqualoto defende que a educação no trânsito deve ser incorporada como um tema transversal desde a infância, para formar cidadãos mais conscientes e responsáveis. Além disso, ele sugere que as leis de trânsito precisam ser aplicadas com rigor, especialmente em infrações graves, como passar no semáforo vermelho, para que haja uma real mudança de comportamento.
“Se aplicássemos a suspensão da habilitação para quem passa no semáforo vermelho, não teríamos tantas infrações e mortes nos cruzamentos de Ribeirão Preto e região.”
Essa combinação de educação contínua e fiscalização efetiva é apontada como caminho para reduzir os índices de acidentes e salvar vidas.
Entenda melhor
- Dia do Motorista é comemorado em 25 de julho, data dedicada a São Cristóvão, padroeiro dos motoristas.
- Em Ribeirão Preto, 91 pessoas morreram em acidentes de trânsito nos últimos 12 meses, sendo 28 motoristas no primeiro semestre.
- A educação formal para motoristas é adequada, mas a aplicação prática das regras é prejudicada pela influência do meio social e falta de conscientização.
- Multas e penalidades muitas vezes não são conhecidas ou levadas a sério pelos condutores, reduzindo seu efeito preventivo.
- Educação no trânsito desde a infância e fiscalização rigorosa são fundamentais para melhorar a segurança viária.



