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Com qual frequência você reclama?

Ouça a coluna 'CBN Comportamento', com Danielle Zeoti
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É comum encontrarmos pessoas que parecem sempre ter uma queixa à mão, seja qual for a situação. Mas será que essa constante insatisfação é apenas um traço de personalidade ou algo mais profundo? Para entendermos melhor esse comportamento, conversamos com a psicóloga Daniela Elzeote.

A Insatisfação Humana: Uma Perspectiva Filosófica

Daniela inicia a discussão trazendo à tona as ideias de grandes pensadores. Platão, por exemplo, acreditava que o ser humano busca incessantemente a felicidade. Freud, por outro lado, questionou essa visão, argumentando que o inconsciente humano abriga desejos e impulsos obscuros que nem sempre estão alinhados com a busca pela felicidade. Lacan complementa essa perspectiva, afirmando que o ser humano é um ser ‘faltante’, sempre em busca de algo a mais.

Ao unirmos essas três visões, compreendemos que a insatisfação é inerente à condição humana. No entanto, reconhecer essa característica nos permite lidar com ela de forma mais consciente e construtiva.

A Exigência Carrasco: Quando a Busca pela Perfeição Paralisa

A psicóloga ressalta que a exigência excessiva consigo mesmo pode ser um fator determinante na constante reclamação. É importante buscar o sucesso e aprimorar-se, mas quando a busca pela perfeição se torna implacável, ela pode paralisar e gerar frustração. Pessoas excessivamente exigentes raramente se contentam com o ‘bom’, almejando sempre o ‘excelente’, desconsiderando o progresso já alcançado.

É crucial encontrar um equilíbrio, negociando entre o que seria ideal e o que já é bom, valorizando as conquistas e o caminho percorrido.

Os Impactos da Reclamação nas Relações Interpessoais

Reclamar constantemente pode ter consequências negativas nas relações sociais. Ninguém quer estar perto de alguém que está sempre insatisfeito e reclamando. Pessoas que reclamam excessivamente tendem a se isolar e serem isoladas.

Em casos extremos, a reclamação constante pode ser um sintoma de transtornos como depressão ou distimia, sendo fundamental procurar ajuda profissional. Amigos e familiares podem desempenhar um papel importante, alertando a pessoa sobre o comportamento e incentivando-a a buscar apoio.

Diante da tendência humana à insatisfação, o desafio proposto é simples: passar um dia sem reclamar. Observar como a mente reage e como o corpo se sente pode trazer perspectivas valiosas sobre a capacidade de encontrar contentamento no presente.

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